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     A revista norte-americana Nude & Natural publicou uma interessante matéria sobre a nudez masculina no cinema (especialmente norte-americano), em sua edição de número 19.4 (verão de 2000). O articulista faz uma análise dos preconceitos existentes contra a visão do nu masculino na sociedade e como isto é apresentado no cinema. OLHO NU traduziu a matéria que será apresentada, na íntegra, em 3 partes, dada a extensão da mesma.

NU FRONTAL

  O aumento da aceitação da nudez masculina no cinema

1º parte

Por Keath Graham*

Tradução de Pedro Ribeiro**

“Se eu mostraria meu piu-piu ? Se eu tivesse que fazer... mas não gostaria de fazer qualquer piu-piu show gratuito.” (N.T.: a expressão pee-pee foi livremente traduzida por piu-piu, que é uma das formas que brasileiros se referem ao pênis, especialmente quando crianças, então o ator faz uma analogia pee-pee show, que são espetáculos curtos de strip-tease, muito comum em cidades grandes americanas)

Keanu Reeves, em Playgirl

 

“Eu não mostrei minha salsicha em “Destino Sedutor” (Tempting Fate) e eu não estava na cena do banho em ‘Tropas estelares’ (Satarship Troopers). Mas eu fiquei tranqüilo comigo mesmo porque optei por não estar nu na tela simplesmente porque eu estava inseguro sobre ficar nu.” 

 

Neil Patrick Harris, em Movieline

CENA DO FILME TROPAS ESTELARES (STARSHIP TROOPERS – 1997, dir.: Paul Verhoeven). Países

europeus como Alemanha, Espanha e Reino Unido deram a

este filme a indicação “para audiência madura” por causa

da violência e do sangue; mas a cena de nudez casual

neste chuveiro com homens e mulheres foi o que chamou a atenção dos examinadores americanos.

     “Piu-piu” ? “Salsicha” ? Por favor. Por que não podemos chamá-lo apenas pelo o que é ? É o pênis, um órgão da anatomia masculina que serve para uma variedade de funções e é freqüentemente – exceto em ambientes naturistas – mantido bem escondido da visão pública.

      Contudo, dentro da última década ou mais o apêndice tem surgido inesperadamente em uma variedade de filmes de cinema de primeira linha. Se insinuado obliquamente de uma certa distância (Mel Gibson em “Coração Valente”, Brave heart, 1995), ou casualmente oferecido para uma inspeção cansativa (Eric Stoltz, “Nu em Nova York”, Naked in New York, 1994), o pênis está começando a ganhar valoroso tempo na moderna indústria do cinema.

     O que está por trás dessa infusão de aparições de pênis nas telas ? O que é que todo mundo tem, desde jovens atores estreantes como Giovanni Ribisi (SubUrbia, 1997) a veneráveis estrelas dos palcos e telas como Frank Langella (Lolita, 1997) querendo fazer o que já foi considerado uma vez um grande risco para a carreira ? É possível que o público freqüentador esteja começando a crescer e a jogar fora noções antiquadas do que é considerado tabu no que se vê ?

Alguns diretores lutam para que permaneça a verdade de acordo com original quando filmam histórias da Bíblia, sem deflagrar a ira dos críticos. Outros simplesmente vão para a rota “segura” e evitam nudismo até mesmo quando é claramente apropriada para sua história. Em 1966, o diretor John Huston lança um Adão totalmente nu (interpretado por Michael Parks) para a história do Gênesis no filme A Bíblia, e foi recompensado com muita publicidade.

A Internet está alargando os horizontes da aceitação

     Poderia ser dito que uma nova atitude de aceitação é um subproduto da famosa ‘era da informação’. O meteórico aumento da popularidade do computador doméstico, facilmente disponibilizando o acesso a Internet e a ubiqüidade da Web fez de nosso mundo um lugar mais íntimo. Estrangeiros não parecem estranhos por muito tempo quando se tem a capacidade de trocar idéias instantaneamente com alguém a meio mundo de distância. Agora que satélites, sistema de Tv a cabo e aluguéis de vídeos oferecem virtualmente filmes de todo país da Terra, a ‘aldeia global’ tornou-se um notável assunto íntimo. 

     Dessa forma, não há limites para os tópicos que estão sendo discutidos publicamente na Web. O tópico de nudez frontal masculina no cinema pode ser encontrado em numerosos sites de busca. Resultados em um site comum desse tipo, com o assunto a procurar ‘Melhores cenas de pênis em filmes de primeira linha’, descobriu entre outros: Kevin Bacon em “Garotas Selvagens” , Wild Things (1998); um não identificado ator extra em um vestiário em “Um Domingo Qualquer”, Any Given Sunday (1999); Ewan Macgregor em “Livro de Cabeceira”, The Pillow Book (1996); Julian Sands, Rupert Graves and Simon Callow mergulhando em pelo em “Uma Janela para o Amor”, A Room with a View (1986); e Bruce Willis em “A Cor da Noite”, Tke Color of the Night (1994).

     Na pesquisa para esse artigo, fiz uma apressada procura para a palavra ‘pênis’ na seção de busca de uma popular página de cinema, a Internet Movie Database (www.imdb.com). Instantaneamente eu estava com 47 endereços de filmes que continham a palavra. Curiosamente, 30 dos 47 foram apresentadas na década dos anos de 1990. Podia ser um sinal do recente crescimento da aceitação da palavra ?

     Aparentemente é tempo certo para a indústria do cinema pegar o próximo passo e permitir atores masculinos em cenas de nudez obrigatórias deixando para trás o clichê de tomada de costas (ou das bundas) (o que agora está finalmente fazendo regulares aparições nas redes de TV americanas), e virar o lado do disco. Afinal, é apenas um pênis.

O Código Hays e MPAA

“Eu duvido que eu faça uma outra cena de nudez neste estágio de minha vida. Se eu estivesse começando, provavelmente eu aceitaria tudo e o mostraria todinho”.

- Jack Nicholson

     A primeira aparição de um pênis em um filme foi em 1912, em um filme italiano intitulado “O Inferno de Dante”. A cena simulava os demônios do inferno, nus. Uns poucos anos mais tarde, um antigo agente do Correio Geral, Will Hays, nomeado pelo Presidente Harding para ‘civilizar’ a indústria do cinema, imporia seu famoso Código hays sobre os produtores e distribuidores dentro dos Estados Unidos.

     Por um tempo, qualquer filme produzido no país para uma audiência paga tinha que seguir as rigorosas regras de conduta de Hays. O Código ditava, por exemplo, que as forças da lei não poderiam ser retratadas como empavonadas, imorais ou derrotadas no final. A um ‘cara mau’ não era jamais permitido escapar impunemente de um crime. Uma vista da parte de dentro das coxas de uma mulher era tabu. Bebidas e cigarros excessivos, orgias ou uso de palavrões e palavras chulas (tais como ‘virgem’ ou ‘maricas’) era proibido. E, é claro, havia nenhum nudismo, masculino ou feminino, por qualquer razão que fosse. Nunca outra vez, prometeu Hays, os demônios do inferno com seus chicotes seriam permitidos a insultar a sensibilidade moral do público freqüentador de cinema.

     “Nunca novamente” durou aproximadamente 36 anos, quando a Motion Picture Association of América(MPAA) substituiu o Código Hays por uma tabela de classificação de filmes em 1966. Fora do cinema de primeira linha, o favorito de Andy Warhol, Joe Dallessandro levou os créditos com a primeira aparição, pós-Hays, de um pênis na tela, em Flesh de 1968. Quando as muralhas da censura caíram, o exilado pênis retornou às telas dos cinemas de primeira linha em 1969, na romântica adaptação de Ken Russel do clássico de D.H. Lawrence Women in Love (Mulheres Apaixonadas), em uma cena onde Oliver Reed lutava com Alan Bates, ambos nus.

     O ATOR HARVEY KEITEL, como George Baines em O Piano (1993, dir.: Jane Campion). Keitel ganhou uma reputação por sua boa-vontade por aparecer totalmente nu no filme, quando apropriado para a personagem. Porém, nenhuma de suas atuações altamente aclamadas, incluindo sua interpretação de Baines, deu a ele um Oscar.

Outros rapidamente tomaram vantagem dessa nova onda de permissividade no cinema. Em 1970, o criador do programa de televisão “Candid Camera” (que no Brasil teve uma versão similar, chamada “Câmera Indiscreta”) Allen Funt levou sua câmera escondida para as ruas para filmar “O Que você diria para uma dama nua ?”(What do you say to a naked lady ?) Embora tendo uma classificação X na época, a comédia incomum é praticamente estranha para os moldes de hoje, com a maioria das cenas envolvendo encontros um tanto mais escandalosos do que incidentais entre homens desprevenidos e as atrizes nuas de Funt.  O filme também incluiu uma cena envolvendo um modelo masculino de arte nu, Norman Manzon, que quebra a barreira entre modelo e estudante quando ele principia conversas casuais com excitadas mulheres durante seus intervalos de descanso. É intrigante assistir as trocas que ocorrem nas atitudes das mulheres quando Manzon, fazendo nenhuma intenção de esconder seu pênis, converte-se de ser classificado como um objeto de arte para um homem vivo, nu, empenhado numa conversa informal.

       Funt filmou um teste de audiência e incluiu o complemento na cópia final (agora disponível em vídeo). Embora mulheres frontalmente nuas abundem no filme, o segmento com o modelo de arte provoca a maior inquietação na platéia teste. Funt lutou para manter a cena no filme, a despeito da possibilidade de seu filme caísse da classificação X (filme para adultos) para a classificação R (restrito para menores) se ele a eliminasse. Funt manteu-se firme e demitiu-se quando um insensato burbúrio aumentou sobre a cena. Acima de tudo, ele deve ter deduzido, é apenas um pênis.

* Supervisor de operações de computadores em Baton Rouge, Louisiana.

Aficionado por cinema durante toda sua vida

 e membro da The Naturist Society desde 1986.

 

**Editor do jornal OLHO NU

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