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A ( quase ) Segunda Vez Por Wagner Rotta*
Leopoldo conheceu Marlene numa aula de dança de salão, ela era uma mulher de sua faixa etária. Era viúva, seus filhos e netos moravam longe e ela sentia-se muito sozinha. A amizade dos dois cresceu a eles começaram a namorar. Eles já estavam juntos a quase um ano e já faziam planos para morar juntos. Durante um jantar que Marlene preparou para Leopoldo numa sexta-feira, ela fez um convite para eles passarem o final de semana juntos. Ele de imediato aceitou. O único problema, é que ela se recusava a dizer para onde eles iriam, dizia apenas que seria uma surpresa inesquecível, um final de semana especial. Leopoldo ainda insistiu, precisava saber que tipo de roupa levar para este final de semana tão especial, mas a resposta dela foi mais surpreendente do que ele poderia imaginar: “Roupa será um detalhe neste final de semana”. No caminho de volta para casa, a cabeça de Leopoldo não parava de pensar no convite. Imaginava mil coisas diferentes, mas nada lhe parecia tão especial para tanto suspense. Foi então que vendo um casal namorando intensamente dentro de um carro estacionado, que ele descobriu do que se travava aquele convite tão especial e o por que de tanta surpresa. Só podia ser uma coisa: “Ela queria uma final de semana de amor, de muito sexo. Muito sexo selvagem”. Só podia ser isso. Assim achava ele.
Na mesma hora começou a fazer planos e imaginar coisas. No dia seguinte acordou bem cedo, colocou numa pequena bolsa apenas uma camisa, um short e uma cueca. Para seus planos, isso era mais do que suficiente. E colocou-se a caminho da casa de Marlene, mas antes fez uma parada rápida numa farmácia.
Quando chegou, ela já o esperava pronta para a viagem. Foram no carro
dela, ela dirigindo e ele no banco do carona de olhos vendados mas com
um belo sorriso no rosto, ainda viajando em seus pensamentos. - Agora você já pode ficar sem isso. Tire esta roupa que eu volto em dez minutos. – sussurrou ela e saiu.
Assim que Marlene saiu, Leopoldo arrancou as roupas do corpo, encheu um
copo de água e pegou o que comprou na farmácia, dois Viagras. “Vai ser
um final de semana inesquecível”. Pensou ele enquanto engolia os dois
comprimidos de uma só vez. Deitou-se na cama completamente nu e ficou
aguardando a volta dela. - Está pronto para o seu final de semana especial? - Muito mais do que você imagina, pode vir. – falou e deu um tapinha na cama para que ela deitasse a seu lado. - Quem disse que nós vamos ficar na cama? Eu pensei em algo mais livre. - Você me surpreende cada vez mais. Ele se levantou e os dois saíram do chalé. Quando chegou do lado de fora, ele não acreditou no que estava vendo. Sentiu as pernas tremerem, vertigem e uma pontada no coração. - Gostou da surpresa? Eu sei que você sempre teve vontade de visitar um campo de nudismo, mas que dá última vez as coisas não deram muito certo, por isso eu resolvi fazer uma surpresa para você. Leopoldo sentou-se numa cadeira perto de uma mesa tentando encontrar uma solução para o problema, mas ele já começava a sentir os efeitos do remédio que tomou. Tinha que pensar rápido. - Eu não posso ficar, fui proibido de entrar em campos de nudismo por cinco anos. - Eu sei. Mas esta sentença foi considerada arbitraria pela Federação Brasileira de Naturismo, e eles entraram com um recurso e você foi absolvido. Este final de semana é de comemoração. - Como você sabe disso tudo? - Eu faço parte da Federação, acompanhei seu caso de perto. Depois o acaso nos colocou juntos naquela aula de dança de salão. - Eu vou ser banido para sempre... – pensou alto Leopoldo e depois falou com Marlene – Por que você não me falou? Por que? - Deixaria de ser uma surpresa. Os pensamentos de Leopoldo estavam a mil por hora. Mal ouvia o que Marlene falava, tinha que sair daquele lugar o mais rápido possível. O remédio já estava fazendo efeito, sua ereção era quase total. Foi então que lembrou-se de algo que poderia salvar sua vida. Limitou-se a dizer que não estava sentindo-se bem e saiu correndo em direção ao chalé, tendo a preocupação de ficar com o corpo um pouco curvado para esconder sua ereção. Marlene ficou alguns minutos sem entender e foi atrás de Leopoldo. Para sua surpresa, quando chegou no quarto, ele estava debatendo-se no chão e espumando muito pela boca. Instantes depois ele já estava sendo atendido pela equipe médica do local. Alguns curiosos olhavam pela janela e pela porta que estavam abertas. Até que uma senhora chamou a atenção para um detalhe que estava passando despercebido. - Aquele negócio fica grande assim mesmo? Se for amiga, você é uma mulher de sorte. – falou e olhou para Marlene. Ela estava se referindo ao pênis de Leopoldo que agora encontrava-se em ereção total. Todos olharam para o mesmo local. Ouve um certo constrangimento por parte de alguns e risos por parte de outros. Os médicos se olharam e preferiram não responder. Colocaram ele numa maca e o levaram para o hospital mais perto onde ficou internado até o dia seguinte. Os médicos não encontraram nada de anormal nele. Uma semana depois, Leopoldo já estava de volta a vida normal, e ao seu namoro com Marlene. Durante esta semana, ele fugiu das perguntas dela sobre o que tinha acontecido no final de semana. Até que numa noite, durante o jantar... - A história do sal de frutas na boca para dar a idéia de epilepsia foi muito criativa, enganou a quase todos. – Leopoldo engasgou e começou a tossir. – Da próxima vez, jogue o envelope no lixo, você o deixou no chão, ao seu lado. Você tem alguma coisa pra falar? - Eu achei que a surpresa era outra... – falou depois de parar de tossir. - Este tipo de surpresa que você se refere, é para hoje após o jantar. E não se preocupe, eu já passei na farmácia e comprei um certo comprimido azul para você... – e eles tiveram uma noite memorável. Ele e Marlene se casaram e moram juntos na casa dela. Uma semana depois Leopoldo finalmente conseguiu passar um final de semana num campo de nudismo. Dizem que Leopoldo gostou tanto da experiência que ele está tentando comprar um chalé para ficar em definitivo no campo de nudismo. Mas até agora não conseguiu. Se você sabe de alguém que queira vender um, procure o Leopoldo. Fim Terminado em: 05 de janeiro de 2006, às 19:42. Wagner Rotta
Este conto inédito é continuação de um outro de autoria também de Wagner Rotta, cujo título é "A (quase) primeira vez", publicada originalmente no jornal OLHO NU nº 32. Clique para ler. Descubra mais trabalhos de Wagner Rotta pesquisando seu nome em nosso sistema de busca no menu principal. |