A Hora do Voto

por Ubiratan Fazendeiro

De dois em dois anos é a mesma história. Os naturistas, como todos os demais brasileiros,  precisam ir às urnas para decidir sobre o presente e o futuro de sua comunidade, seu município, seu estado e seu país. Não é segredo que grande parte, diria até, a maioria dos eleitores vai votar apenas por obrigação e não por entender o que o voto representa. Vai apertar o botão Confirma sem saber o porquê. Muitos poucos brasileiros pesquisam sobre os candidatos e, quando eles são eleitos, muito menos ainda acompanham as ações deles durante seus mandatos. A quase totalidade do eleitorado só quer saber dos cargos máximos: prefeito, governador ou presidente, esquecendo-se de que aqueles que fazem as leis não são eles. São justamente aqueles que são preteridos ou mal escolhidos pelos eleitores.

Nós naturistas precisamos ampliar nossos espaços de fala, com ações coletivas em prol da causa que se propõe ser uma filosofia na qual acreditamos que há benefícios em estarmos e vivermos nus. As práticas do naturismo abrangem o cuidado com a natureza e o meio-ambiente, a atividade física, a busca de alimentação saudável e uma vida mais simples.

A nossa missão como movimento é mostrar que não há nada de errado com a nudez. E, para tanto, há a necessidade de promovermos o debate para expor as questões ligadas ao naturismo do ponto de vista legal, religioso e moral. Assim, para as pessoas poderem tirar suas dúvidas e aceitarem aqueles que querem estar e viver nus, é preciso antes promovermos ações com o objetivo de conscientizá-las do direito ao respeito com os naturistas. Uma vez que a nudez é um direito natural e o direito natural antecede o direito legal.

Este debate se faz na “ágora” do espaço político, pois lá é que se fazem as leis e os códigos de condutas. Sendo assim, não podemos renunciar a nenhuma das estratégias e isso inclui apoiar pessoas em pontos chaves que podem facilitar a melhor inserção, divulgação e popularização do nosso movimento na sociedade e que possam, dessa forma, contribuir para aumentar a nossa influência quanto movimento que somos.

Nos grupos naturistas quase sempre nos é solicitado a não expor preferências políticas, religiosas, futebolísticas etc. Isso porque se teme que estes assuntos tragam a cizânia e o movimento naturista, que já é composto de poucas pessoas, não seja capaz de suportar múltiplas divisões.

Contudo, nos momentos de eleições, devemos ter em mente uma outra lógica que possa compreender que tudo é político e não é possível apartar a política das nossas vidas, organizações, tribos e comunidades. E que, como movimento que pretende conquistar direitos de ser, existir e crescer, temos a obrigação de usarmos o voto como ferramenta de transformação na busca desses ideais. Para tanto, é preciso que os naturistas, principalmente em seus domicílios eleitorais, e em quaisquer outros que possam influenciar, busquem apoiar candidatos naturistas ou mesmo simpatizantes, independente de partidos políticos, que se comprometam a apoiar, ou mesmo não atrapalhar, as nossas reivindicações naturistas.

O naturismo não se identifica com os políticos ou com os interesses dos partidos, pois sabemos que é impossível colocar os naturistas de vários matizes ideológicos no mesmo balaio. Ainda, devido a este fato, é quase impossível para o movimento constituir candidaturas coletivas de naturistas ou simpatizantes. Contudo, uma formação de consenso mínimo se faz necessária.

Ao votar, o naturista deve, entre outras coisas, escolher candidatos que não atrapalhem ou que não sejam contrários ao movimento naturista, além, é claro, de verificar a trajetória pessoal dos candidatos, se eles mostram-se comprometidos com a promoção de uma ecologia integral, com o bem comum, com prioridades no campo da saúde, da educação, da segurança, do transporte e do direito à alimentação, todos estes direitos já consagrados na nossa constituição, mas que precisam de uma "forcinha" para se concretizar. Além disso, é preciso observar se os candidatos estão comprometidos com a redução de todas as formas de violência.

Por fim, pedimos a todos os naturistas que estão a disputar as eleições como candidatos que nos avisem para que possamos votar mais conscientes nessas eleições que se aproximam. E, para concluir, é sempre importante lembrar que a participação política vai muito além do voto no dia da eleição. É fundamental também acompanharmos o compromisso dos candidatos eleitos com o movimento naturista ao longo de todo o seu mandato.

(enviado em 25/10/20 via whatsapp)


Você está acessando
Jornal OLHO NU - edição 240 - novembro de 2020


Olho nu - Copyright© 2000 / 2020
Todos os direitos reservados.