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Jornal Olho nu - edição N°162 - Maio de 2014 - Ano XIV

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Nudez & Preconceito

por Fellipe Barroso*

 

O texto abaixo foi publicado nos meus perfis do Facebook e do Twitter no exato dia em que a questão abordada tomou parte da Internet (23 de Abril de 2014). Prefiro, por este motivo, deixá-lo intacto no Jornal Olho Nu, preservando o "calor" do momento em que foi redigido.

 

Boa noite!

 

Gente:

 

É raro eu escrever muito no Facebook e no Twitter. Entre inúmeros debates que surgem na grande rede, dos políticos às questões pessoais, tudo para mim passa tão rápido quanto uma nova atualização de status que me é notificada.

 

Basicamente atrevo-me a escrever sobre assuntos os quais me sinto à vontade para debater de forma séria, apresentando argumentos que são bem mais do que opiniões surgidas ao ponto final de alguma matéria recém lida.

 

Aliás, dado o funcionamento das discussões na Internet, é bem comum que eu comece a redigir textos quilométricos, para simplesmente apagá-los depois de concluídos. Acontece! Trata-se de uma oportunidade que me é dada, ao contrário de uma discussão face a face, na qual deslizes verbais, ocasionados pela pressão dos acontecimentos, podem arruinar um bom discurso.

 

Nua para o filme "Sob a pele"

Aí começaram a circular as fotos de Scarlett Johansson em seu nu frontal no filme "Sob a pele". Junto com esta circulação em massa, comentários (Maldosos em sua maioria) que iam desde as chamadas "frases de pedreiro" (Prefiro não dar exemplos...) até as críticas exacerbadas sobre a forma física da atriz.

 

Para estes (Quase) anônimos críticos, Johansson estaria fora de forma, caída, um bagulho, desleixada, relaxando, e por aí vai...

 

Em campanha para a grife Dolce & Gabbana

Bem, o que se lerá a partir daqui não se trata de uma defesa à atriz, nem tampouco um manifesto para algum tipo de "conscientização" das pessoas. Apenas me parece um espaço modesto (E ao mesmo tempo abrangente... paradoxos da pós-modernidade...) para expor ideias que permitam alguma reflexão, em vez de simplesmente impor um ponto de vista, e quem não concordar que vire as costas e vá embora (Ou me exclua, termo muito usado pelas bandas do Facebook e do Twitter)... Não! Quem não concordar, por favor, escreva à vontade de forma a alimentar o debate! Quem concordar, colabore também com mais palavras que possam complementar a tese aqui defendida.

 

Scarlett, antes de ser um símbolo de beleza cobiçado por muitos, é humana, uma forma orgânica com todas as imperfeições que, somadas, formam um todo muito maior do que a soma de suas partes. Estas partes, belas em suas singularidades, feias quando justapostas a outras tão bonitas quanto, somam-se a um conjunto que culminou na pessoa da qual aqui escrevo.

 

Capa para a Revista Vanity Fair

...e assim somos todos nós! Feios ou bonitos aos olhos de quem nos vê, podendo ser nós mesmos estes olhos!

 

Padrão de beleza é algo mutável, variando na história a partir de demandas da sociedade.

 

Não vejo problema algum em buscar uma boa forma física com alguma atividade que seja. O que me incomoda é a busca incessante por um corpo que só se consegue pelas mãos de um bom desenhista, ou pelos ajustes de algum bom programa de computação (Photoshop o mais popular).

 

Somos assim: irregulares, assimétricos, imperfeitos!

 

Criticar uma pessoa por ela apresentar estas três características soa como uma crítica ao real.

 

Numa época em que vislumbramos em nossas telas nossos desejos milimetricamente atendidos, é quase fácil entender por que mostrar-se como se é parece uma afronta.

 

Como a sexy "Viúva Negra" da franquia "Os Vingadores")

Portanto, pessoas, talvez seja coerente deixar as críticas à Scarlett Johansson de lado. Parar com os questionamentos sobre como ela conquistou milhões de fãs babões com tantos "defeitos", e procurar entender que a beleza está onde a vemos, e mesmo a pintura mais bonita da galeria pode um dia não parecer tão bonita assim. O nosso olhar mudou um pouco? Sim! Poderá voltar a ser como antes? Talvez! E se não voltar? É porque não mais vemos a beleza ali. Então é hora de visitar outras galerias, ver outras pinturas, e, quem sabe, num outro momento, voltar ao primeiro quadro, e ver que ele não é mais tão bonito quanto um dia pareceu, mas nem por isso perdeu as qualidades (Os encantos) que um dia o fizeram ocupar um local de destaque no pensamento.

 

Boa noite!

 

Para saber mais:

Documentário da BBC "Como a arte fez o mundo - Episódio 1: mais humano que o humano" (Parte 1 de 6. Procurem o resto no Youtube):
https://www.youtube.com/watch?v=AChSoxxivDg

 

Atenciosamente
Fellipe Barroso

barroso.fellipe@gmail.com 

 

(enviado em 23/04/14)


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