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Jornal Olho nu - edição N°140 - julho de 2012 - Ano XII

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Rumo à Liberdade

por Aguinaldo da Silva*

 

Outro dia, estando num clube naturista, ouvi de uma mulher a seguinte frase: “Aqui, eu esqueço que estou sem roupas.” Coisa aparentemente trivial para quem se considera naturista. Mas na realidade, a referida frase encerra um auspicioso nível de desenvolvimento nesta filosofia de vida.

 

Vivenciar a liberdade não é simplesmente poder se desvencilhar de uma convenção social ou regra de conduta, como por exemplo: andar vestido. Mas em estar livre de fato! Não apenas em transpor um tabu, romper com um costume, mas fazer isto sem o sentimento de estar quebrando valores reais, que traga peso de culpa ou algum desconforto para a consciência.

 

Nem sempre nascemos livres ou sabemos cultivar a liberdade no decorrer da vida. Às vezes temos que lutar contra certas tendências inatas ou contra deformações originadas da educação errônea. Mas isto faz parte do processo, crescer ou aperfeiçoar-se as vezes dói. Temos que ter ousadia para dispormos da liberdade, assim como devemos ter consciência para experimentá-la. Liberdade e responsabilidade são dois pratos de uma balança que se equilibram.

 

Liberdade com responsabilidade envolve, entre outras coisas, respeito para consigo mesmo e para com os outros. Isto nos leva a não incorrer em vícios ou qualquer outra prática que cause alienação, como por exemplo: o abuso de drogas ou a exploração sexual.

 

Quem se realiza com o naturismo pelas razões certas alcançou de fato um marco de libertação na experiência humana. Vivenciar a liberdade não é apenas despojar-se de limitações e imposições, mas vestir-se de atitude positiva, de sabedoria, de equidade. Permitir que a percepção da sensualidade seja dirigida pela percepção da liberdade.

 

A condição de não mais considerar a visão do corpo impropriamente ou como um risco moral, demonstra amadurecimento. A transposição da barreira ética e estética que considera o corpo como algo impudico denota uma conquista da psique. Não mais sentir compulsões de caráter lascivo, ou sentimentos de falta de dignidade pela percepção da nudez alheia, isto é vivenciar a liberdade sob a sua forma mais plena. Se esquecer das roupas como necessidade moral é um indicativo de emancipação, coisa de gente bem formada, que conseguiu colocar suas emoções sob o domínio da razão, que conseguiu se desvencilhar do cativeiro de suas percepções.

 

O aprimoramento do caráter, colocando sob o domínio da razão as percepções e os pensamentos está no cerne das grandes religiões. Pela ótica do naturismo esta condição se viabiliza pela familiaridade com a nudez. Ao invés de coibir as tentações da carne pela vedação do corpo, como propõe a ética moral mais comum, pode-se educar a mente a ver com respeito e serenidade o corpo e suas funções.

 

Ao se dar o direito de estar nu com dignidade, a pessoa adquire espontaneidade, leveza, segurança. E se esquecer de que está nu, pode ser a coroação de uma vida simples, espontânea e feliz.

 

*Teólogo e escritor

aguinaldodasilva@yahoo.com.br

 

(envidado em 18/06/12)


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