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Jornal Olho nu - edição N°122 - janeiro de 2011 - Ano XI

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PADRÃO OPRESSOR

via Blog do JC de João Carlos de Souza em 01/12/10

por Glacy Machado*

Para a pesquisadora Mirian Goldenberg, doutora em antropologia e professora da pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a nudez feminina sempre alimentou o imaginário e o desejo masculino. A diferença é que, nos dias atuais, o acesso é amplo. Na opinião dela, isso pode representar dois tipos de mudança: em uma visão mais moralista, significa dizer que há uma banalização, a mulher se transformou em objeto sexual.

Num aspecto oposto, representa uma maior naturalização do corpo da mulher.
– O viés pode ser positivo ou negativo. Mas, de tanto aparecer mulher nua, a nudez deixa de ser um tabu – ressalta.

Mirian ressalta que, neste início de século, o culto ao corpo se tornou uma obsessão e se transformou em um estilo de vida para algumas mulheres. Além disso, para a pesquisadora, no Brasil, o corpo é quase uma roupa, pois é ele que deve ser “exibido, moldado, manipulado, trabalhado, costurado, enfeitado, escolhido, construído, produzido, imitado”.

A psicanalista inglesa Susie Orbach, citada por Mirian no artigo Nem Toda Brasileira é Bunda, considera que o modelo de beleza apregoado pela sociedade afeta especialmente as mulheres:

– É o corpo feminino perfeito, magro e esguio.

A apologia do corpo perfeito é uma das mais cruéis fontes de frustração feminina dos nossos tempos. A obsessão pela magreza virou uma epidemia.

Mirian afirma que, de um lado, o corpo feminino se emancipou de antigas servidões: sexuais, procriadoras ou indumentárias. Mas, por outro lado, ele é submetido a coerções estéticas mais regulares, imperativas e geradoras de ansiedade. Para a pesquisadora, não é a nudez ou a exposição que deixa a mulher presa a essa lógica, pois mesmo nas culturas nas quais não há tanta exposição elas também são reféns de modelos estéticos.

– Em uma cultura na qual o corpo fica mais escondido, ela pode disfarçar, não expor as imperfeições. Mas, nua ou vestida, essa lógica impera na cultura ocidental – conclui.

"Para uma naturista que nem eu a afirmação: Nem Toda Brasileira é Bunda. Resume o preconceito do corpo nu. A mulher é fatiada, por bunda, seio e pernas e a maioria das revistas explora isso. No naturismo o corpo é aceito como um todo e vale a tua identidade única como pessoa e não por atributos isolados."

*Glacy é naturista moradora da Colina do Sol


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