Jornal Olho nu - edição N°92 - julho de 2008 - Ano VIII

Jovem naturista exemplar continua a lutar pela solidariedade

por Pedro Ribeiro*

Quando tinha 8 anos, Cristiano Pinheiro Fedrigo conheceu o Naturismo. Sua mãe foi trabalhar como empregada doméstica do casal Celso Rossi e Paula Andreazza na Colina do Sol. E ali ele passou o resto de sua infância e adolescência brincando nu com as outras crianças, filhos de Celso e Paula e dos outros casais pioneiros deste empreendimento único na América Latina.

Hoje, com 20 anos, sabe como ninguém toda a história do crescimento e dos diversos problemas que sua morada de coração passou e tem passado. Ele, gaúcho de Taquara, a cidade onde se encontra a Colina do Sol, era morador do entorno da propriedade naturista, o atualmente famoso Morro da Pedra. Local de onde vieram as crianças que são o pivô das acusações contra os casais Fritz e Bárbara e André e Cleci.

A Colina possui hoje 166 casas e Cristiano a conhece desde quando não havia nem uma dúzia. Ele acha que o empreendimento está decadente, por causa das atitudes de certas pessoas moradoras do condomínio naturista.

Embora adolescente, Cristiano elaborou um projeto durante anos organizando uma oficina de bicicletas para a comunidade do Morro da Pedra. Ele condicionava o conserto gratuito de aros, correias e guidões danificados pelo empréstimo dos veículos de duas rodas um dia da semana a outras crianças. Com as peças de sobra, o garoto começou a montar bicicletas e a doá-las, no intuito de facilitar o transporte das crianças para as escolas.

Por causa do projeto, aos 14 anos, conheceu o casal Fritz e Bárbara, que também faziam trabalho assistencial  na mesma comunidade e eram moradores da Colina do Sol. O casal incrementou o trabalho do jovem que acabou sendo premiado pelo Unicef (leia toda a história de Cristiano na Revista Seleções: http://www.selecoes.com.br/edicoes_anteriores/2006-12/revista-garoto-taquara.htm).

Com Fritz e Bárbara nasceu uma grande amizade. Eles o incentivaram a estudar utilizando o dinheiro do prêmio. Em final de 2005 foi para o Estados Unidos estudar inglês, onde passou dois anos, retornando uma semana antes, em dezembro de 2007, da tragédia da prisão dos grandes amigos.

Foi Cristiano quem apareceu nas chocantes imagens da TV abrindo a porta para a polícia da casa do Fritz, de cueca, e que serviu como manchete de jornais dizendo que foi encontrado um menor (ele) na residência, que serviria de comprovação às acusações. Inclusive também foi veiculado na imprensa que sua ida aos Estados Unidos fazia parte de uma rede de tráfico de menores, onde eram levados para se prostituírem.

Garante que todas as acusações contra seus amigos são falsas. As crianças pobres eram levadas para dentro da Colina para que pudessem desfrutar da infra-estrutura, como a piscina e as quadras de esporte. Mas isso desagradava, pois a presença delas atrapalhava planos de mal intencionados em relação ao Naturismo.

E se revolta contra a atual situação da Colina do Sol, que, segundo ele, recebe influência negativa de alguns moradores, que possuem atitudes nada naturistas. Conta que quase sempre um novo casal que chega ao local como visitante é abordado por pessoas com convites de cunho sexual. Até mesmo sua namorada já sofreu este tipo de constrangimento. Infelizmente são pessoas que têm grande influência no condomínio.

Ele também foi ao Encontro no Mirante do Paraíso no intuito de sensibilizar a Federação Brasileira na defesa dos casais acusados.

*pedroribeiro@jornalolhonu.com

Leia também:

 

Richard Pedicini, norte-americano está empenhado na defesa dos acusados e preparou um grande dossiê sobre o assunto, resultado de suas investigações particulares nas quais vem se empenhando desde a prisão dos casais acusados. Saiba porquê ele tem tanto interesse no caso lendo sua entrevista.

 

Graça Andrade, paulista, atriz, esposa de Richard, acompanhou o marido nesta sua luta intrépida. Sua estréia no Naturismo regulamentado mereceu destaque do jornal OLHO NU. Clique e leia.


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