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Nudez metafísica. Nudez
natural
Jorge
Bandeira do Amaral, 39 anos, membro do Conselho de Ética e diretor de
divulgação do Graúna, Grupo Amazônico União Naturista, levou a exposição
"Gibran: Nudez Metafísica. Nudez Natural" para o X Encontro Brasileiro
de Naturismo, realizado em novembro de 2007 na Praia do Pinho, como uma
prévia, uma "avant-premiére" do XXXI Congresso Internacional de
Naturismo que será realizado em setembro deste ano em Tambaba. Na
ocasião concedeu esta entrevista inédita que conta os porquês da
exposição.
"Eu sempre tive interesse enquanto dirigente
naturista de ver essa questão da cultura e da reflexão sobre a própria
idéia básica do naturismo, percebida como aparato cultural de nossa
própria sociedade, e o Gibran sempre me chamou a atenção nesse sentido.
O trabalho dele é pautado em 90% em retratar os corpos nus.
Gibran é oriundo de uma cultura
oriental, a libanesa,
e sua obra atravessa a Europa no início do século XX. Ele era muçulmano,
mas se converte ao Cristianismo já bem próximo ao final de sua vida.
Suas primeiras obras foram queimadas em praça pública, no Líbano, por
causa de seu tema. Ele viajou junto com a família, aos 13 anos de idade,
para morar em Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu influência da
cultura ocidental, estudou arte e chegou a trabalhar como modelo vivo.
Ele e sua obra são considerados cosmopolitas, por apresentar
características das duas culturas em que viveu.
Quando voltou ao Líbano e não era muito conhecido
ainda, a parte de sua obra vinculada à nudez causou estranhamento e
censura. Hoje ele é o maior nome do Líbano, suas obras são
best-seller e muito importantes o que ajudou a suplantar os
percalços iniciais, mudando a visão dos conservadores ou
sectários. Ele foi o grande abridor de portas e de fronteiras nesta
questão obscura da nudez naquela região. Ele é um dos grande
incentivadores em olhar o corpo nu como algo natural. Tanto nas
ilustrações de seus livros, os quais ele mesmo ilustrava, assim como em extratos dos textos relativos à nudez, percebe-se sua posição clara que
não condizem com o Alcorão.
O objetivo da exposição é
servir como elemento incentivador da prática naturista. As pessoas
passam por este recinto, visitantes que ficam nus mas ainda não se
conscientizaram do que é o Naturismo, funcionários do Complexo do Pinho
vêem um trabalho dessa magnitude, com este valor estético, que funciona
como elemento sensorial, uma pequena centelha que se acende, que pode
levar a pessoa a entrar no mundo naturista de forma natural. Não só
politicamente, mas também culturalmente."
Entrevista concedida a
Pedro Ribeiro em 16/11/07
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