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Como viemos ao mundo publicado no Jornal "O Popular" de 22/08/2007, de Goiânia
Nudismo conta com cerca de 30 mil adeptos no Brasil, que afirmam que a prática é uma forma de entrar em contato com a natureza
Mario de Moraes Especial para O POPULAR
Perguntar não ofende: andar nu na praia é imoral? Segundo a Federação Brasileira de Nudismo (FBN), não, desde que você seja partidário do naturismo e fique sem roupa em praias destinadas a esse fim. Segundo a FBN, o naturismo é um modo de vida no qual se estabelece uma harmonia com a natureza, principalmente quando os seus adeptos o praticam em grupo. "Essa atitude encoraja o auto-respeito, o respeito pelos outros e pelo meio ambiente. Todo naturista é nudista, mas nem todo nudista é naturista", é lema da FBN.
Existem dúvidas quanto à prática do naturismo. Para esclarecê-las, fomos atrás das FBN para obter as respostas. Quanto à confusão entre naturismo e nudismo, a entidade esclarece que a filosofia naturista vai muito além do simples ato de ficar nu. Ser naturista, explica, é comungar com a natureza e com as outras pessoas, respeitando-as.
É natural que os não-naturistas fiquem chocados ao chegar a uma praia de nudistas e ver seus freqüentadores nus e bem à vontade, já que não é fácil abandonar os hábitos impostos pela sociedade. Mas, depois que aderem ao movimento, logo sentem prazer e uma profunda paz – garante a FBN –, uma integração com todos que estão compartilhando aquele momento.
É natural que a maioria associe o nudismo ao sexo. A FBN esclarece que não tem nada a ver. "A prática de nudez social é totalmente desvinculada do sexo e tem como objetivo fortalecer o respeito por si próprio e pelo próximo. Obviamente, o naturista tem atividades sexuais, mas somente com sua companheira na privacidade de seu ambiente. Aliás, qualquer prática de caráter sexual é severamente punida pelo Código de Ética Naturista. Se você está procurando o naturismo para participar de orgias, desista antes de se decepcionar, pois o que vai encontrar é um ambiente totalmente familiar", informa.
Adeptos
Em 2006, num levantamento feito pela FBN, constatou-se que no Brasil já existiam cerca de 30 mil adeptos do naturismo, a maioria na faixa entre 35 e 45 anos, e que esse número vinha aumentando a cada ano, principalmente entre os jovens. De 7 e 10 de setembro, Cartágena, na Espanha, mais precisamente em El Portus, sediará o Congresso Internacional de Naturismo. O Brasil estará presente.
Em nosso País existem três tipos de praias em que se pode praticar o nudismo: as toleradas, que não têm legislação específica para a proteção dos naturistas, nem associação organizada de naturismo; as de naturismo eventual, geralmente desertas que, em função de sua topografia e isolamento, proporcionam privacidade, e as de naturismo oficial, onde a prática é oficializada e têm legislação específica para a proteção dos naturistas, além de associação organizada de naturismo.
Estas últimas são(1) as praias de Tambaba, no município de Conde (PB); a Massarandupió, em Entre Rios (BA); a Belmonte, em Belmonte (BA); a Quinta Praia, em Morro de São Paulo (BA); a Barra Seca, em Linhares (ES); a Olho de Boi, em Búzios (RJ); a Galheta, em Florianópolis (SC); a Pinho, em Camboriú (SC), e a Pedras Altas, em Palhoça (SC).
Dançarina inaugurou prática no Brasil
Luz del Fuego, batizada Dora Vivacqua, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim (ES), em 21 de fevereiro de 1917, 15ª filha de Etelvina e Antônio Vivacqua, membros de tradicional família capixaba. Tornou-se famosa quando foi para o Rio e passou a fazer shows eróticos, dançando quase nua e envolta por cobras. Foi ela quem implantou o naturismo na América do Sul, na Ilha do Sol, de sua propriedade, na Baía da Guanabara, onde criou o Clube Naturalista Brasileiro. No livro Luz del Fuego – A Bailarina do Povo, de Cristina Agostinho, a autora assim descreve a Ilha do Sol: "Nos fins de semana os sócios do clube apareciam. Luz controlava tudo, mesmo com a ilha repleta de gente. As roupas deviam ser deixadas na entrada, junto ao pequeno cais de madeira. Era terminantemente proibido levar bebidas alcoólicas, proferir palavrões ou praticar sexo na colônia. A diferença entre naturismo e libertinagem era veementemente ressaltada: 'Aqui não é rendez-vous nem motel. Se querem farra e sexo, fiquem nos seus apartamentos em Copacabana'. Só eram permitidas atividades saudáveis: nadar, jogar vôlei, tomar banho de sol, etc".
Cristina lembra que a maior diversão da Ilha do Sol eram os bailes de
carnaval, muito bem organizados por Luz del Fuego. Cada convidado que
chegava recebia um cabide numerado para colocar suas roupas e uma
plaquinha com o mesmo número para pendurar no pescoço. Depois de se
molhar, o folião ganhava um "banho" de confete pelo corpo. A máscara era o
único adereço que ela permitia. Para a segurança, Luz contratava guardas
portuários, que se distinguiam dos foliões apenas pelo quepe na cabeça. Os
garçons eram identificados pela gravatinha-borboleta. Infelizmente, toda
essa precaução não foi suficiente e Luz del Fuego e o vigia Edgar acabaram
vítimas de dois irmãos assassinos que, por vingança(2), os trucidaram
barbaramente, em 1967. (enviado em 22/08/07 por GoiasNAT)
Nota da redação: (1) A relação de praias oficiais apresentadas pelo jornal está errada: não foi colacada a praia do Abricó (RJ) e foram acrescidas duas praias que não são oficiais, Belmonte, em Belmonte (BA) e a Quinta Praia, em Morro de São Paulo (BA). (2) Luz del Fuego e Edgar foram assassinados por ladrões, não há qualquer prova que tenha sido vingança o motivo do crime. |
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