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Argentina prepara-se para fazer parte da Federação internacional de Naturismo

 

Vida Nudista falou com a senhora Florencia Brenner, a secretária e uma das fundadoras da APANNA (Associação Para o Nudismo Naturista Argentino). OLHO NU sob autorização traduziu e reproduz a entrevista exclusiva a seguir. Isto foi o que ela contou...

 

foto: Vida Nudista

Florencia Brenner

VN: Como surge o nudismo na Argentina?

FB: Na Argentina surge uma associação no ano de 1930 que se chamava PANDA, eram alemães que viviam na Argentina, eles faziam regatas em canoas e tinham uma ilha em Tigre onde se reuniam, eram também vegetarianos e tinham normas muito estritas, não podiam fazer grupos à parte, compartilhavam tudo e em geral tinham normas de boa educação, nesse momento a associação era algo secreto devido à época, e para ingressar tinha que estar muito bem recomendado por algum sócio.

 

VN: Como se iniciou a APANNA?

FB: Eu comecei a praticar nudismo no exterior, nunca imaginei que na Argentina se iria fazer nudismo, me parecia impossível já que era coisa de europeus. O nudismo se fazia na Europa ou no Caribe francês e não se poderia supor que havia nudismo na Argentina.

 

No ano 2001 se inaugura a primeira praia nudista que se chama La Escondida, em Mar del Plata e por intermédio desta praia formamos um grupo que nos conhecemos em uma lista do yahoo. Começamos a trabalhar, a dialogar, a difundir o nudismo e no ano 2003 por sugestão de Pablo Usomarso convoquei uma assembléia em Buenos Aires e assistiram entre 30 a 40 pessoas, algumas delas tomaram parte da primeira comissão diretiva.

 

Se começou a trabalhar apenas para firmar-se o estatuto, inicialmente foram 15 sócios fundadores dos quais 7 eram da comissão diretora e o restante eram sócios somente, o primeiro objetivo foi lograr a personalidade jurídica, nós entendíamos e entendemos que se não faz falta estar associado para fazer nudismo, porque a gente o pratica onde quer e como quer, as associações te permitem a difusão e determinadas ações conjuntas que o fortalecem, porque uma coisa é que um grupo de pessoas peçam uma praia naturista, e é muito distinto que seja uma associação naturista quem a peça.

 

La Escondida

Neste momento temos mais de 150 sócios e além disso é a primeira associação que tem personalidade jurídica em ordem nacional. Há outra que é Éden que tem personalidade mas em ordem provincial. Há dois aspectos do nudismo, os que têm espaços ou sedes e os que organizamos mas não temos uma sede. Nós estamos trabalhando através das pessoas que se interessam ter empreendimentos. Um empreendimento pode ter fim de lucro, ao contrário, uma associação, sem fins de lucro como a nossa, não pode lucrar, os que estamos aqui é porque amamos isto, porque nos agrada este estilo de vida e a natureza. Pensamos que a melhor forma era dando-lhe um marco legal. Neste país para conseguir uma personalidade jurídica há que se demonstrar que a associação tem relação com o bem comum, por bem comum se entende a comunidade ou parte dela.

 

Um dos objetivos que teve mais influência no outorgamento da personalidade jurídica foi o aspecto ecológico, nós achamos que o nudismo é uma parte mas não o todo, o fundamental é a integração do ser humano na natureza, de um ser natural, de uma auto-aceitação e de um crescimento pessoal, eu considero que para fazer-se nudista não é somente sacar a roupa, há pessoas que não se importam aos demais, há gente que se diz naturista e tem condutas muito pouco éticas, eu diria muito pouco comunitárias.

VN: Porque o termo nudismo-naturismo?
FB: Há uma discussão que se vem dando desde há muito tempo, o naturismo surge na Alemanha em grupos de pessoas que lhe dão um conteúdo mais relacionado com a saúde e o natural. Eram conceitos onde se proporia sair-se da vida artificial e começar a desfrutar da natureza, é dizer dietas naturais, tomar sol nu, mas logo se começou a fazer atividades estando nu, muitas pessoas confundem isto com vegetarianismo.

 

Hoje internacionalmente se utilizam nudismo e naturismo como sinônimos. Nós na Argentina começamos a utilizar o termo nudismo naturismo, porque aceitamos os códigos de convivência da Federação Naturista Internacional, são códigos que têm a ver com o respeito a si mesmos, respeito pelos demais e respeito ao meio ambiente, esta seria a síntese do código de convivência (Publicados na página web). O respeito a si mesmo é a auto-aceitação, é levar uma vida natural sem fanatismos, e depois o aspecto ecológico é o meio ambiente, tratar de não contaminar a natureza nem o espaço, evitar condutas invasivas.

VN: Qual é a função da APANNA?
FB: Fundamentalmente é difundir o naturismo em forma autêntica, quando há um grupo de pessoas que querem estabelecer um lugar, nós o ajudamos, verificamos e os fazemos firmar um documento de compromisso de que vão cumprir e fazer cumprir os códigos de conduta nudista-naturista, este é o primeiro requisito para que nós difundamos o lugar. Pela confusão que existe há muitos lugares que se dizem naturistas mas ao ir se encontram com muitas surpresas e condutas que não têm a ver com o naturismo, ainda que muitas vezes há condutas que se podem variar de lugar. O que pedimos às pessoas é que quando observarem algo anormal venham e contem e assim  nós começamos a fazer averiguações.

VN: Qual é o suporte dos sócios na APANNA?
FB: APANNA é uma associação sem finalidade de lucro, os sócios não tem que pagar nenhum tipo de cota, as pessoas que trabalhamos nisto doamos nosso tempo. Há alguns empreendimentos que fazem desconto aos sócios da APANNA que se apresentem com carnê, nossa intenção é crescer, no momento não há nenhum interesse em cobrar uma cota aos sócios.

VN: Qual é o principal objetivo da APANNA?
FB: O objetivo imediato é primeiro consolidar-nos como associação e logo fazer uma federação naturista argentina, mas necessitamos pelo menos 3 associações que estejam estabilizadas para poder formar a federação.

VN: Que se necessita para criar mais associações?
FB: As associações se vão dando sós. Uma coisa é ser nudista e outra coisa é querer trabalhar para o nudismo, nós o que buscamos é isso, gente que trabalhe para o nudismo. Primeiro o tema de difusão de quitar o tabu, e não negar que somos nudistas-naturistas, explicar o que é, com que cada um de nós o haga é suficiente. Ainda falta muito trabalho, e sobretudo nas províncias é necessário que hajam grupos de pessoas, líderes que possam sincronizar o trabalho. Agora se estão formando grupos (fóros) em Rosário, el Cuyo, e outras regiões e em Córdoba se está tratando de formar também uma associação.

VN: Que ganhos se têm alcançado?
FB: Muitos, mas o ganho se vê através da aceitacão que vai tendo na sociedade, através do apoio que nos pode dar o município, a cidade, nenhum pedido que fizemos nos o tem negando, no máximo demora um pouco pelos trâmites, mas sempre se cumpre.

 

Villa Gesell

VN: Como está o projeto da nova praia nudista?
FB: Nós agora estamos pedindo uma praia nudista em Villa Gesell, já temos a palavra do secretário de turismo, temos o consentimento do fóro de Gesell e há muito interesse de que se haja outra praia nudista, já que a única existente é La Escondida que se fundou no ano 2001 e já não é suficiente.

VN: Qual foi a experiência no congresso de El Portus?
FB: O congresso se realizou de 7 a 10 de setembro deste ano (2006), em Cartagena de Murcia, Espanha, e basicamente foi onde mais vimos a necessidade de ter conformada a federação, para ter mais voz e voto a nível internacional. No foro se falou do nudismo na América Latina e de fazer um congresso no Brasil, já que é o único país que tem federação a nível latino-americano. O objetivo é tratar de afiançar os grupos que estão e que se formem mais associações. Este será um congresso aberto e se realizará em 30 - 31 de março e 01 de abril de 2007.

VN: Qual é a relação do nudismo com a sexualidade?
FB: Muitas pessoas crêem que o nudismo é algo sexual, as condutas sexuais se consideram questões privadas, sempre e quando essas condutas não molestem a ninguém. Existe muita confusão porque alguns centros naturistas também recebem gente swinger, mas o swing e o naturismo não têm a ver uma coisa com a outra e isso gostaría que ficasse bem claro, porque uma das coisas que temos que fazer no naturismo para sair adiante e para poder receber a todas as pessoas que são muito cuidadosas de sua conduta na sociedade, é que sempre exista uma conduta de respeito.

VN: Em sua opinião, porque a mulher tem mais dificuldade ser nudista-naturista?
FB: Sempre há menos mulheres realmente, o tema é que a mulher é criada para tapar-se, essa é a realidade, desde a infância se criam mulheres para guardar seu corpo como uma forma de sedução e de mistério, é um tabu que custa muito romper. Para desnudar-se e sentir-se bem frente ao mundo há que ter um processo de amadurecimento que à mulher custa mais. Quando a mulher tira a roupa deixa de ser objeto de sedução. Quando se criam as crianças em ambientes naturistas a maioria adquire uma atitude frente ao próprio corpo muito mais natural, a atitude corporal é a que determina se existe ou não provocação, não o corpo como tal.

 

http://www.vidanudista.com/art/14/entrevista-con-florencia-brenner-secretaria-de-apanna.html

 

(enviado em 10/12/06 pelo Moderador do grupo OxenteNAT)

 

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Jornal Olho nu - edição N°75 - janeiro de 2007 - Ano VII


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