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NATURALMENTE # 7
Anoto
com alegria verdadeira, que estamos completando um (1) ano com a nossa
coluna “Naturalmente”, e percebo como tem sido importante escrever de
forma construtiva para tantos leitores, especialmente quando sabemos que o
número de analfabetos e semi-analfabetos, no Brasil, é tristemente
assustador. Espero firmemente que a minha mensagem possa ser bem recebida
e entendida pela maioria.
Mas a natureza, como afirmo com ênfase, não pede o julgamento de ninguém, nem prestigia os palpites e as subjetividades dos homens. A primavera, repito, está de volta; e, em novembro, teremos mais um Congrenat. Por tudo isso, devemos reafirmar também as origens e os fundamentos do Movimento Nudista-Naturista, lembrando os pioneiros.
Prestigiando a história, e não os meros casuísmos, gostaria de falar um pouco de Richard Ungewitter, fundador, e de seu livro “Das Nacktheit”, “A Nudez”, obra de referência. O texto original, em alemão, data de 1905, sendo considerado por alguns como o “Velho Testamento do Nudismo”, segundo palavras de C. Cinder, autor de “The Nudist Idea”.
Na introdução, Ungewitter afirma que estávamos no ponto de partida de uma nova era (1905), e menciona os trabalhos científicos da teoria da evolução. Ungewitter dizia que, no início do século XX, estávamos num período de transição entre os velhos e os novos benefícios, fazendo observações de crítica direta às posições da Igreja Católica; segundo ele, a Igreja estigmatizou “o corpo nu” como algo pecaminoso...Afirma enfaticamente o precursor do Nudismo-Naturismo: _”Atitudes livres, natural e moralmente puras, provenientes de sentimentos saudáveis, devem assumir seu lugar como uma força poderosa de orientação de nosso contínuo desenvolvimento físico e espiritual”. Colocação oportuna e preciosa. É buscando e estudando suas boas raízes, que o Movimento Naturista pode encontrar caminhos bem traçados e seguros.
Registro, com destaque, o pioneirismo de Richard Ungewitter, sem exageros ou divinizações, mas com a objetividade que o Movimento parece exigir.
Registro igualmente uma longa carta enviada pelo amigo Bruce, de Oklahoma,
USA. Sem dúvida alguma, o texto de Bruce é uma análise inteligente e bem
realizada a respeito do meu livro “Corpos Nus”; poucas vezes tenho lido
matérias de tão boa qualidade, forma e conteúdo. O olhar de quem nos vê à
distância, mas com nitidez e profundidade, salienta pormenores relevantes;
eis alguns parágrafos da carta de Bruce:
Pedindo de antemão desculpas pelos erros de português que sem dúvida aparecem nesta carta, gostaria de fazer uns comentários quanto ao texto para assim entrar em diálogo com você e seguir com a minha aprendizagem. Enfatizo que a minha preparação é literária e meus interesses de pesquisa atuais têm a ver com a representação literária do corpo, especialmente na literatura brasileira e hispano-americana das décadas de 1920 e 1930. Quando nós nos conhecemos e você me disse que é biólogo, eu falei em The Naked Ape, de Desmond Morris, e você confirmou que o livro (que eu li na minha adolescência) foi uma das fontes que utilizou. Entre outros lugares, vejo que fala do texto do Desmond na p. 292:
_ “O homem está nu, pelado, e afirma sua sabedoria, sua superioridade… Esse homem, como salienta Desmond, possui o maior cérebro entre os demais primatas, e igualmente o maior pênis, embora procure omitir esse último atributo superlativo. Qual seria a razão? Ter o pênis grande, em relação aos primos, seria evidência pejorativa? Talvez. A motivação fundamental, o instinto, a grande freqüência de sua atividade sexual, por exemplo, são quase sempre renegadas a um segundo plano, certamente porque o ‘macaco nu’ procura elevar-se acima dos semelhantes, dos aparentados, e da própria natureza, buscando definir-se como um ser superior, meio angelical.”
Eu concordo inteiramente com você e saliento que, entre os primatas, os humanos também têm os maiores seios, e sobre esse superlativo o Desmond gasta, sim, muita tinta, teorizando que sua forma se assemelha à das nádegas para incitar o desejo dos homens. É contraditório o tempo gasto pelo Desmond no tema dos seios em contraste com o fato de ele não mencionar o pênis, e acho que isso ressalta ainda mais a tese de você do porquê ele não o menciona”.
...As palavras de Bruce são sobretudo, um grande estímulo. Fica em mim a impressão, afinal, de que nem tudo está perdido nesse país de contrastes inquietantes, tão nivelado por baixo, especialmente nos últimos anos, infelizmente; as verdades naturais e a história real ainda têm o seu lugar porque viver não é exercício de inconseqüências, embora muitos ilustres desavisados sejam pródigos em matéria de disparates e de inverdades, buscando descaminhos, que iludam os desatentos. Precisamos nos empenhar para melhorar o nível de vida no Brasil, e o Naturismo bem concebido pode efetivamente ajudar.
Paulo Pereira. Outubro 2006.
Em tempo: na edição de dezembro, prosseguirei falando, inclusive, da obra
de R. Ungewitter (Das Nacktheit). *Biólogo, escritor, ex-presidente da Rio-NAT |
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