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Minha experiência como naturista de primeira viagem

 

Fotos meramente ilustrativas

 

foto de Internet

Praia Olho de Boi - Búzios

Olá, amigos:

 

Sou Luiz Claudio Bezerra Lacerda, professor de idiomas para executivos e tenho trinta e três anos.

 

Gostaria de deixar aqui meu testemunho a respeito de minha experiência como naturista de primeira viagem.

 

Aos 28 anos, resolvi adquirir -- no meu ponto de vista e de acordo com minhas sensações após a visita -- a magnífica experiência de estar completamente nu ao ar livre e na presença de várias outras pessoas igualmente despidas.

 

Ressalte-se que, nessa época, estava muito deprimido e angustiado pelo falecimento de meu irmão e de meu pai além de estar abalado pelas crises financeiras pelas quais passava.

 

Estava buscando, de fato, algo que me libertasse da dura realidade a que somos submetidos para viver de acordo com os padrões da sociedade.

 

Primeiro momento: A desconfiança.

 

O primeiro lugar por mim visitado, foi uma praia nudista (Olho de Boi), em Búzios - Região dos Lagos - Rio de Janeiro.

 

Estava meio receoso, fui acompanhado de minha -- na época -- namorada. Pensava que iriam começar a reparar em nós. Eu estava um pouco acima do meu peso, em virtude disso e da situação financeira desfavorável daquele momento, tinha a auto-estima abalada. Ela, por outro lado, exibia um belo corpo esbelto, bem jovem, estava com 20 anos. Resultado: insegurança à vista.

 

Ao chegarmos ao local, percebi que havia ali uma harmonia entre as diferenças -- Gordos, magros, brancos, negros, "feios", "belos". Ainda meio encabulado, olhei para os lados e percebi que em uma parte, bem próxima a nós, havia um casal de homossexuais jogando dominós (percebi pelo beijinho delicado que trocaram). Do outro lado, um casal com seus 2 filhos, estes brincando na areia e aqueles sentados, conversando, sorrindo e de mãos dadas enquanto olhavam seus filhos. Na água, jovens, adolescentes, grupos de colegas homens e mulheres batendo papo, assim como fazemos em qualquer praia.

 

Segundo momento: A quebra do pré-conceito.

 

foto: TV Pelados

Praia do Abricó - RJ

Percebi também que ninguém olhava para nós, comendo-nos com os olhos, reparando se eu estava acima do meu peso ou abaixo ou mesmo nele. Tampouco para minha namorada, que costumava prender a atenção das pessoas nos lugares aonde chegávamos, dada a sua beleza.

 

Foi interessante -- e ao mesmo tempo intrigante -- comparar e descobrir que numa praia "comum", ou seja, onde a prática de nudismo ou naturismo é proibida, as pessoas reparam, criticam, estereotipam muito mais as demais e, no entanto, usam trajes de banho de acordo com o que se lhes exige.

 

Nesse momento, já mais à vontade, pensei que meu irmão e meu pai, onde quer que estivessem -- no caso de existir vida após a morte, quem vai saber! -- poderiam praticar naturismo. Poderiam ficar nus ou vestidos, pois estavam livres de suas couraças; e ninguém os censuraria por serem o que eram. Senti-me confortado por imaginar o conforto dos dois.

 

Quanto à minha delicada situação financeira, tive bons momentos de descanso mental, primeiro pela nova experiência, e depois, porque cheguei à conclusão de que o lado externo não pode abalar o lado interno de ninguém. Vi-me como Luiz Claudio, sem boa roupa, bons sapatos. Só Luiz Claudio, um cara tranqüilo, esforçado, de bons amigos, trabalhador, humano e bonito, por que não?

 

Foram horas incríveis. Chegamos a casa e me senti tão bem por saber que existia (e existe) algum lugar onde não precisaria ter medo de ser somente por ser, em vez de ser por ter.

 

Minha primeira atitude em casa foi ir à padaria comprar pão para o lanche da tarde. Fui bronzeado, descalço e sem camisa. Somente de bermuda. Imaginei-me na praia, ninguém me olhava. Eu não olhava ninguém. Estava livre e feliz por ser eu. Pensei: dívidas, ah, hoje é domingo. Amanhã resolvo, senão depois de amanhã. O importante é que independentemente da situação, eu vou ser sempre Eu.

 

Terceiro momento: O relato da experiência aos amigos.

 

No dia seguinte, ao comentar minha experiência com amigos, fiquei surpreso com a visão distorcida -- e até absurda -- de alguns deles. Chegaram a me perguntar se eu transei com várias mulheres lá, e até se transei com algum homossexual (nada contra a pessoa que faz o que quer de sua vida ou de seu corpo).

 

Achei engraçado porque ao tentar explicar-lhes a minha visão não quiseram escutar, simplesmente ignoraram o que eu tinha a dizer. Paciência! (risos)

 

Quarto momento: As constatações.

 

foto Internet

Família naturista

Na semana seguinte, fomos minha ex e eu à praia de Abricó pela primeira vez. Senti-me membro de um grupo de anjos, livre, bem, respeitado pela minha presença; não pela roupa, não pelo status; só pela minha presença.

 

Já na praia de abricó, percebi que guardei detalhes -- talvez irrelevantes da praia de Búzios, como a estética dos freqüentadores -- e, através dos detalhes, tentar estereotipá-las também . Senti-me ridículo por notar que talvez fosse o único a reparar o que reparei. Mas felizmente me livrei do estigma de ser uma pessoa comum e adquirir a visão libertadora de um grupo seleto de visionários denominados naturistas.

 

Quinto momento: O orgulho de ser naturista.

 

Fui três ou quatro vezes mais. Não sei por que não continuei a freqüentá-la. Contudo, hoje, casado e com 1 filha, adotamos, minha esposa e eu, o naturismo como filosofia em nossa casa. Confesso-me ansioso pelo dia dessa visita com minha família.

 

Abraços,

 

Prof. Claudio Lacerda (português p/ estrangeiros e espanhol)

http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=8794025363123532684

teacherclaudio@hotmail.com

 

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Jornal Olho nu - edição N°72 - outubro de 2006 - Ano VII


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