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ALÉM DA NUDEZ por Carlos de Paiva*
Creio não haver dúvidas quanto ao fato de a nudez ser o carro-chefe do Naturismo, se confundir com ele, ou ser o próprio. Levando em conta que estamos coberto (em todos os sentidos) por tanto tempo uns para os outros que me parece óbvio que isso não poderia ser de outra maneira mesmo. Mas gostaria de comentar, sobre mais alguns aspectos que penso serem relevantes para podermos agregar mais valores e fortalecer nosso movimento. Primeiro, que o nu por sí mesmo acaba sendo um gancho importante para nós. Estamos vivendo num momento, que as pesssoas estão cumprindo menos os papéis esteriotipados de outrora e; com isso, tendo maior liberdade de escolha para viverem suas vidas como bem entenderem. Vale a pena pararmos um pouco aqui, para refletirmos por um momento sobre essas boas e grandes mudanças que ocorreram nestas últimas duas décadas, e o quanto elas podem ser interessantes para nós. Da família tradicional a nova família, mais aberta e permitindo novos tipos de convivências entre seus membros. O pai vem com dois filhos de um outro relacionamento, a mãe tem um de outro casamento. O avô esta na academia fazendo musculação, a tia namorando o filho do vizinho e o sobrinho paquerando o amigo da escola. Ou seja, estamos assistindo a uma vida mais autogestiva, de acordo com as necessidades e consciência de cada um. Segundo, que atualmente as pessoas tem procurado associar mais lazer com saúde (ecoturismo, SPAs, etc.), e o Naturismo fica sendo uma boa opção para quem busca na Natureza uma oportunidade para esta conciliação. Terceiro, cultivar valores mais condizentes com o ser humano. Procurar no Naturismo por novas formas de relacionamento com os outros, com nós mesmos e com nosso corpo. Descobrir outros prazeres, que o estar nu, só ou coletivamente pode nos proporcionar. Um nu mais fraternal, lúdico, até mesmo um pouco em oposição a um nu (como somente nos apresentam), exclusivamente para consumo; quer seja sexual, estético ou de exibição. Quarto, podemos também utilizar do Naturismo como via para formação de uma identidade mais autêntica e voluntária. As roupas fazem parte de nosso "estojo de identidade" e, também através delas, passamos nossas mensagens de como queremos ser percebidos e identificados. Essa "identidade social", que se perde ao se despir diante dos outros, acaba por fortalecer nosso eu e por consequência, creio, nossa auto-estima. Notem que o oposto se faz verdadeiro, quando evidenciamos a presença de uniformes (aquele que só tem uma forma), para diminuição do eu e padronização das personalidades. Em conclusão, manifesto, que gosto de ver o Naturismo muito mais como resultado de evolução, maturidade e consciência, do que resgate, retorno ou recuperação; apesar destes últimos também serem verdadeiros. Tenho confiança no poder absoluto da natureza humana na superação do que é acidental em nós. Mas, creio, para que isso ocorra, é necessário que o homem comece a preservar a natureza a partir de si mesmo, de dentro para fora; pois esta é a única ecologia, que acredito, possa levar verdadeiramente a um mundo melhor. *Psicólogo |