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NATURALMENTE # 5
O inverno vem chegando, trazendo muitas nuvens cinzentas, nuvens de dúvidas e de interrogações... Faço, então, um pequeno exercício, buscando entender controvérsias, perplexidades e indefinições.
É ano de Copa, de Eleições!... Fica em mim a sensação insólita de que a vida acaba sendo também um jogo... As cartas estão postas e os dados lançados, mas quem, afinal, dá as cartas e põe os dados? Exercitemos, com lucidez, as grandes dúvidas.
Ao relançar, por exemplo, o meu livro “Corpos Nus, Verdade Natural”, edição especial, vivo algumas dúvidas e inquietações. Será que, ao escrever, consegui realmente transmitir minha mensagem com clareza?... No país do exótico e surpreendente Lula, que não sabe e que nada viu, haverá conhecimento válido e olhos que enxerguem com nitidez? Conseguimos, ao menos, ver um pouco além das meras aparências? Talvez... Numa época de superficialidade, de politicagem rasteira e de fanatismo futebolístico, haverá espaço para as verdades naturais, para a nudez digna, para o meu livro “Corpos Nus”? Talvez...
Por tudo isso, recordo, meio
aflito embora confortado, algumas palavras, que escrevi sobre as coisas do
velho Naturismo, ou Nudo-Naturismo, ou Nudismo... A questão, afirmei eu,
que me parece essencial é a de entender que, a respeito da nudez, o
fundamental é separar o nu material do nu fabricado; a nudez integral (corpo
e mente) da semi-nudez, ou da nudez dos palcos e passarelas. Será que
todos leram bem essas minhas palavras? Talvez...
Talvez... Os “lulas” não leram, não viram e não sabem...
O certo é que o Naturismo, ou Nudismo, não é um oba-oba inconseqüente!... O que preocupa é o fato lamentável de vivermos no país do jeitinho, dos preconceitos mal disfarçados, do não-compromisso, do esquecimento histórico e da preguiça de ler... O eterno faz-de-conta não serve como base nem esconde os preconceitos. Alguns pseudo-gurus chegam até mesmo a ter um certo orgulho do não-saber, da ausência de formação acadêmica, da falta de informação e coerência... Isso é fatalidade? Não creio.
Considerando o real saber, recordo algumas colocações de Rose-Marie Muraro. Escreveu ela: - “O corpo nu é sentido invariavelmente como uma ameaça àqueles a quem foi inculcado que a seriedade, a responsabilidade e o controle são valores a serem construídos sobre a negação do corpo. Nas sociedades primitivas, ao contrário, a nudez é uma forma de adaptação à vida. O corpo é simplesmente aceito como ele é”. É, pois, como quer Rose, a verdade natural que se impõe. Fica mais fácil entender o que eu quero dizer quando, como fiz no meu livro “Corpos Nus”, afirmo quase gritando que sou irmão de Aimberê e de Cumhambebe, valentes Tupinambá!... A nudez do índio (e do naturista) não pode jamais receber, ou acolher, o olhar vesgo da malícia hipócrita, muito comum entre todos os que nada vêem e nada sabem; entre os que costumam pouco entender do pouco que conseguem ler.
Ficar nu, em princípio, não é coisa de maluco... O que é a loucura, afinal? Talvez (sempre o talvez), como quis Gibran, apenas uma compreensão mais aguda do existir... Leonardo Da Vinci, sempre festejado, alertou: -“Cegante ignorância nos ilude; ó miseráveis mortais, abri os olhos!” E não se combate a fome e a ignorância com preguiça de ler!
Registro, finalmente, uma longa matéria, escrita numa publicação estrangeira, que destaca o Naturismo do Brasil: a revista “N” (The Naturist Society), Volume 25, nº2, Inverno 2005, sob o título “Naturism in Brazil” procura criar um panorama das atividades nudistas brasileiras, com várias fotos a cores. A matéria é assinada por Mark Storey. Oportunamente farei comentários mais detalhados a respeito dessa matéria publicada sobre o Naturismo Brasileiro. Aguardem. Mark Storey ressalta, por exemplo, que há um número crescente de praias nudistas e vários excelentes clubes no Brasil... É bom conferir.
A revista (The Magazine of Naturist Living)** foi generosa, abrindo um espaço de várias páginas dedicadas ao Naturismo no Brasil, sem esquecer, inclusive, o pioneirismo de Luz Del Fuego, que é reafirmado por um pequeno artigo assinado por Roberto Marques Soares e traduzido para o inglês por Peter Farrand. Repetindo minha colocação, já na primeira edição de “Corpos Nus” (1997), Roberto Soares chama Luz de “A Musa do Naturismo Brasileiro”. E Roberto conclui seu artigo dizendo: - “Em 1967, Luz denunciou dois irmãos, moradores de uma ilha vizinha, por praticarem pesca ilegal com uso de dinamite; ela foi morta por vingança. Foi um final trágico para uma dama corajosa...
Mas o ideal de Luz Del
Fuego não morreu com ela (é bom que os falsos sabidos anotem isso, mais
uma vez); seu ideal vive ainda pela ação dos naturistas brasileiros que
reverenciam sua memória”. É reconfortante ler essa afirmação porque
ratifica exatamente o que tenho sempre dito e escrito a respeito. E
Storey conclui o artigo ( para a revista “N”) dizendo: -“O dinheiro e o
tempo gastos para voar ao Brasil parecem ter sido mais do que
justificados pelas belas praias, e clubes, que encontramos lá! Afinal,
fica patente que o Nudismo-Naturismo, como sempre ressalto, não é uma
onda, um louco modismo nem um mero oba-oba oportunista ou conveniente.
*Biólogo, escritor, ex-presidente da Rio-NAT
Ps: a
edição especial de “Corpos Nus, Verdade Natural”, da Editora Livre
Expressão, está sendo lançada neste mês de junho; o preço do exemplar é de
$42,00 reais. As reservas devem ser feitas para o e-mail:
indiangy99@yahoo.co.uk.
**o site Mundo NU escaneou e disponibiliza em suas páginas, com a devida autorização dos editores, toda a reportagem da revista N magazine citada por Paulo Pereira. Clique no endereço abaixo para ler.
http://www.mundonu.com/blog/nmagazine/ (enviado por Claudio Dias) |