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Excursões… só para nudistas.

Peter Englert – O empresário alemão tem conseguido revolucionar o setor do turismo no Reino Unido com uma agência de viagens atípica

Reportagem de Manuel Veja

Fotos da Cordon Press

Tradução de André Herdy*

Englert observa um guia de sua agência de viagens

Se buscarmos no dicionário a palavra ‘empreendedor’, encontraremos este significado: “Que executa resolutamente ações difíceis ou complicadas.” A definição final pode ser bem aplicada, sem dúvida alguma, a Peter Englert. Este alemão residente no Reino Unido há quase 40 anos, não é o que podemos chamar de empresário comum. Até a poucos dias ele era proprietário de 2 agências de turismo a Travelzest e a Peng Travel, uma agência de viagens com sede em Romford-Essex, que possui uma curiosa peculiaridade: Todos os seus clientes praticam o nudismo.

Englert fundou a empresa em 1971, mas o número de clientes não foi o esperado: no duro início só 28 pessoas se dirigiram a ele para reservar excursões ao exterior e o clima da Inglaterra não era muito atrativo para a prática nudista.

Sem desistir, o empenho de Englert vislumbrou que o interesse por este tipo de férias, em que não se precisa de trajes de banho na mala, superaria todas as expectativas. Em 2005 a Peng Travel teve 4000 pacotes vendidos, faturou 2,6 milhões de libras esterlinas ( 11,6 milhões de reais) e um lucro liquido de 235.000 libras esterlinas ( mais de 1 milhão de reais).

O dito e feito

“A prática do nudismo ‘rompe o elo’ e consegue que as pessoas desfrutem da vida.”

1936: Nasce em Berlin, durante o começo do nazismo
1952: Tem seus primeiros contatos com a nudez social numa ilha do Mar do Norte
1971: Funda em Romford - Inglaterra a Peng Travel a primeira agência de viagens só para nudistas de todo Reino Unido
2005: a empresa bate todos os recordes ao faturar 3,8milhões de euros.
2006: Vende o seu outro negócio negócio, a Travelzest, para uma companhia turística por, aproximadamente, 2,6 milhões de euros.

“Quando criei meu negócio, a maioria de meus clientes era sócio de clubes naturistas. Agora, estes perfazem menos da metade de minha clientela.”, diz Englert, que também assegura que na Alemanha o naturismo já era, naquela época, muito mais comum do que em seu país adotivo.

O rosto de Englert apareceu em numerosas mídias britânicas quando resolveu vender sua outra empresa, a Travelzest, em 9 de maio passado, uma agencia de turismo – não naturista. Nesta venda, fala-se que Englert recebeu uma volumosa soma de 1,8 milhões de libras esterlinas (5,5 milhões de reais).

“Os britânicos são tímidos” diz o empresário inovador. “Não são capazes de conversar com a pessoa que se senta ao seu lado no trem, por isto, desnudar-se diante de estranhos deveria ser difícil para eles. Também o tempo não ajuda a fomentar o naturismo. Porém uma vez que o praticam, se sentem como peixes na água”. Segundo algumas estimativas, existe algo em torno de um milhão de nudistas no Reino Unido e mais de 20 milhões em toda Europa.

Peter Englert nasceu em Berlin a quase 70 anos. Criou-se numa família tradicional que nunca praticava o naturismo. A primeira aproximação de Englert com este hábito ocorreu ainda em sua adolescência, numa excursão a uma ilha do Mar do Norte, onde ele e todos seus amigos se banharam nus.

Ele continuou sua experiência em outras ocasiões “em um lugar adequado e nos momentos propícios, não numa fria manhã de inverno londrino”. Depois disto trabalhou em diferentes agências tradicionais de turismo, a princípio na Alemanha e logo depois na Inglaterra. Foi ali onde surgiu a idéia que lhe fez famoso em toda ilha britânica. “Era a ocasião de combinar um interesse meu com uma oportunidade empresarial. Mas estou seguro que muitos de meus colegas acharam que aquilo era uma loucura”, relembra Englert.

As atividades da empresa começaram com um único destino, a antiga Iugoslávia, um dos poucos lugares na Europa que oferecia boas opções naturistas naquela época. Porém, hoje, a Peng Travel possui uma ampla gama de opções turísticas com muito sol na Espanha, França, nos países do Caribe e no México, onde os turistas podem jogar Vôlei de Praia, andar de Windsurfe, dançar ou comer num restaurante totalmente nu. Uma das normas do “Desire Resort” (um dos destinos no país Asteca), mostra bem quais são as atividades esperadas no naturismo: “Nossas opções são variadas, porém não permitimos atividades e propostas sexuais nas áreas comuns”.

Apesar das opiniões de Englert acerca da timidez britânica para desnudar-se, o primeiro clube naturista fundado no mundo foi fundado – ironia do destino – por um inglês no meio do apogeu do Império Britânico. A sede deste clube não estava na Inglaterra, e sim na distante Índia que era parte dos domínios da coroa britânica e cujas temperaturas eram muito mais agradáveis para a prática do Naturismo. Em 1891, Charles Edward Gordon Crawford, que era juiz em Bombaim, decidiu descansar de suas obrigações jurídicas nas praias de Thana sem levar uma peça de roupa. Infelizmente para o movimento naturista britânico, o clube acabou fechando em pouco tempo por causa do pequeno número de sócios que Crawford conseguiu juntar.

Segundo Englert “nós desfrutamos do naturismo porque ele significa liberdade. Sentir o vento em todas as partes do corpo é magnífico e quando nadas, é muito gostoso fazê-lo sem roupas de banho. O Naturismo rompe os tabus sociais e faz com que relaxemos saudavelmente, sem conotações sexuais”.

Fonte: Jornal El Mundo de 25 de Maio de 2006.

Ano XVIII Edição Número 6.005

Madrid – Espanha (Edição Nacional)
 

 

*André Herdy é o presidente da Ynai-Brasil

Jornal Olho nu - edição N°68 - junho de 2006 - Ano VI


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