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As razões de ser de um pelado
por Laércio Júlio da Silva*
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Reprodução de cartão postal |
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A pele é o órgão maior e talvez, o mais surpreendente do
corpo humano (sem chance para o cérebro, já que ele próprio não se
define), e quando estendemos seu estudo a outras espécies de animais,
podemos mesmo elevá-la ao nível do maravilhoso.
A pele é um órgão de cobertura durável, mutável, maleável,
renovável e permanente, desde antes do princípio e até após o último
suspiro, muitas vezes podendo permanecer mumificada inclusive após a
morte.
A roupa não oferece proteção mais eficiente, e é por isso
que nossa pele é flexível e não é feita de material duro. Se houvesse
tal necessidade, é absolutamente seguro que a Natureza a teria suprido,
como fez em outros arranjos bem mais complexos, e então seríamos
criaturas cascudas como o jabuti e o tatu, ou mesmo escamosas como
cobras e peixes.
Por isso os raios de sol são tão importantes e recentes pesquisas
sugerem uma relação inversa entre exposição ao sol e osteoporose, câncer
do cólon, câncer do seio e, até mesmo, a pior forma de câncer da pele,
ou seja, melanoma maligno.
Ou seja,
a exposição sistemática ao sol provoca doenças. O inverso, ligado ao uso
freqüente da roupa também...
O banho de sol provoca a síntese da Vitamina D com o corpo, a qual é
vital (entre outras coisas) para a absorção do cálcio e para um sistema
imunológico forte. A exposição ao sol é essencial ao ser humano e
fundamental para o crescimento de ossos fortes em crianças pequenas.
Basta olhar através do microscópio para perceber que a pele
é um milagroso composto orgânico vivo, cuja estrutura mostra-se muito
mais intrincada que uma simples malha metálica.Uma armadura de ferro,
após o primeiro banho, saindo ao sol, começaria a enferrujar até sua
completa desintegração. A pele, ao contrário, solta seus grânulos de
“ferrugem” junto com a água do banho, substituindo-os por substâncias
vivas, no interior e na membrana de suas células. Em conseqüência, mesmo
aquelas pessoas de peles macilentas, que passaram os últimos anos
entregues ao vício do álcool ou ao cigarro, que parecem velhas, doentes,
fadadas a uma rápida declinação, vêem-se rejuvenescer após a prática do
naturismo e uma dieta de água, frutas e verduras.
Células com alto grau de diferenciação exercem
simultaneamente múltiplas funções para dar à nossa pele suas nobres
propriedades do rejuvenescimento, da maleabilidade, da regeneração dos
cortes e outras feridas, proteção contra impactos, coloração adequada
aos ambientes ou aos humores do espírito. Depois do banho, logo que
necessário, a pele recobre-se de uma camada protetora, expelida pelas
glândulas, e é também através dela que o corpo elimina muitas impurezas,
junto com o suor, dando fôlego às outras vias de excreção.
Além de tudo, a pele é sensível ao toque, à sensação de
presença, à recepção do outro, à abertura para um primeiro encontro. É o
palco de inúmeras deflagrações, começando pelo reconhecimento de um
invólucro desejável, o cheiro, o tato, o beijo e um caminho para o
êxtase. “Não há nada mais sublime do que um toque” dizia Walt Whitman.
Pesquisas têm ligado, mais e mais, a privação do toque - especialmente
na infância e na adolescência - à depressão, violência, inibição sexual
e outras condutas anti-sociais. Pesquisas também mostraram que pessoas
fisicamente frias com adolescentes apresentam resultados hostis,
agressivos e, muitas vezes, violentos. Por outro lado, crianças criadas
em famílias cujos membros se tocam são mais saudáveis, mais aptas a
resistir à dor e à infecção, mais sociáveis e, geralmente, mais feliz do
que as provenientes de famílias que não partilham o toque.
A pele traduz as oferendas ao coração, as alegrias
cor-de-rosa, o vermelho da vergonha, o susto pálido, o gelo do medo, a
rugosidade do frio, os amarelos amargores... e não se verá pele mais
sedosa, colorida e vibrante que a daqueles que se entrelaçam na saudável
dança do amor. Sentir completamente pelado o vento e a brisa serena no
toque sutil da natureza é uma sensação incomparável!
As roupas limitam ou anulam muitas das finalidades naturais da pele
como, por exemplo, repelir a umidade, secar rapidamente, respirar,
proteger sem impedir o desempenho e, sobretudo, perceber o próprio
ambiente.
Esse admirável órgão protetor - a roupa natural do corpo - que cresce
continuamente do começo ao fim da vida e tem, ao menos, quatro conjuntos
absolutamente distintos de nervos sensórios, são essenciais para regular
a temperatura, é à prova d'água de fora para dentro, mas permite que a
transpiração evacuada escape livremente e, é à
prova de micróbio podendo prontamente
absorver a luz do sol. Esse belíssimo, versátil e maravilhoso órgão é,
na sua maior parte, sufocado, empalidecido em roupas é permanentemente
restaurado para o ar e para a luz que são o seu ambiente natural. Só o
Naturismo nos oferece essa oportunidade.
Já existem pesquisas científicas que ligam o uso sistemático de sutiã a
propensão para contrair o câncer no seio. Analogamente, câncer nos
testículos tem sido relacionado a cuecas apertadas. Roupas justas
impedem o sistema linfático, o qual removem do corpo toxinas causadoras
de câncer.
Portanto, tirem a roupa e sejam saudáveis e felizes...
Laércio Júlio da
Silva é
Administrador Hoteleiro e
associado ao Goiasnat.
*secgoiasnat@gmail.com |