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NATURALMENTE # 4
por Paulo Pereira*

“O carnaval passou, o
verão acabou e parece ter chegado mais um tempo de outono, de reflexão, de
renovação. A vida, cíclica e impermanente, reafirma-se por suas
metamorfoses. Celebremos.
Enquanto o frio não chega,
talvez sacudido pelos gritos da copa do mundo na velha Alemanha, caminho,
silencioso, no pátio do secular mosteiro, misturando meus passos aos
rumores sutis das reticências do tempo...
No claro-escuro do dia que quer ser noite, percebo a presença sutil de
doces fantasmas, convite discreto à meditação, à consideração de fatos e
de gente.
Nessa hora de mutações e de
renascimento, recordo, mais uma vez, os nomes de vários ilustres
naturistas que já alçaram vôo para dimensão extrafísica, como Dora (Luz
Del Fuego), Daniel de Brito e Osmar Paranhos, por exemplo. A eles
sobretudo, gostaria de dedicar essa coluna de abril, quando examino o
ontem no hoje (e no amanhã), e quando, modestamente, faço pequena
apresentação da nova edição de meu livro Corpos Nus.
Pois
é. O livro está chegando, numa esperada e carinhosa “edição especial”: são
nove capítulos acrescidos de prólogo e epílogo, sem falar num encarte
eloqüente de fotos e ilustrações selecionadas. Quase ao acaso, cito aqui
alguns parágrafos: _ ”Para os que andam por aí, meio perdidos, procurando
certamente ver Luz Del Fuego com lentes desfocadas, aconselho respeito e
melhor informação, em vez de repetidos palpites e disparates de resto
pouco inteligentes... Eu nunca deixei de afirmar que, a médio prazo, o
Brasil teria todas as condições de consolidar o Naturismo. E parece mesmo
que eu tinha razão. A grande semente, plantada e cultivada por Luz,
germinou fortemente, e cresceu através de seus seguidores, até chegar aos
dias de hoje... Como os fatos comprovam, são mais de cinqüenta anos de
lutas e boas realizações... Para ser bom naturista, creio que é preciso
saber andar pelado como o índio e, como diz a velha canção popular, tomar
banho de sol, bailar como se baila na tribo, lá no esconderijo... Para ser
naturista é preciso não complicar; é preciso saber viver...”
Fica em mim sempre a gostosa alegria de ver a tarefa bem cumprida. Espero
que os amigos, naturistas ou não, gostem de verdade da leitura de “Corpos
Nus”, e que o recado seja, portanto, bem entendido.
O
carnaval passou, o verão acabou, mas o Naturismo, que jamais foi uma
simples onda (ou modismo) permanece ativo, vivo e renovado, prestigiando,
por fundamento, a nudez como verdade natural, até porque a História, que
não se consegue inventar impunemente, prevalece sempre, definitiva.
“Corpos Nus” conta um pouco dessa história, a história naturista, sem
compromissos egoístas.
Num mundo cada vez mais
globalizado, é importante informar adequadamente em vez de desinformar. A
ignorância segue sendo o mal maior. O erro eventual, ainda que pequeno
deve ser identificado e combatido; a gota d’água pode converter-se em
torrente arrasadora... Os naturistas devem buscar a boa informação, sem
nenhuma preguiça. As pesquisas idôneas devem ter em conta as boas fontes
para que o trabalho frutifique. Ao reescrever “Corpos Nus”, durante esses
dois últimos anos, busquei sistematicamente as fontes nobres e os
aconselhamentos pertinentes. Parece que deu certo. E os vários depoimentos
só enriqueceram minha obra. Entretanto, o assunto não foi esgotado: o
Naturismo-Nudismo é um grande processo vivo. Na verdade, o dourado dos
raios do sol e das folhas de outono refletem o vigor da natureza (e do
ideal naturista), que, mesmo amortecido algumas vezes pelos ventos frios
da intolerância, renasce com força a cada manhã de vida.
*Biólogo, escritor, ex-presidente da Rio-NAT
indiangy99@yahoo.co.uk
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