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Tributo a Heitor Stein (1940 – 2005) por Laércio Silva*
Seria muita babaquice elogiar com ufanismo uma pessoa como o Heitor. Creio que ele mesmo não gostaria, porém, é preciso dizer e formular algumas postulações necessárias aos momentos históricos do Naturismo no Brasil. Para quem não teve a felicidade de conhecê-lo pessoalmente, Heitor foi um empresário de sucesso, grande incentivador do Naturismo no centro-oeste e um dos fundadores do Goiasnat (Associação Goiana de Naturismo) em 1997. Homem de visão ímpar e original, tinha defeitos e virtudes como você que está lendo e a pessoa que vos escreve, mas, definitivamente era um homem com um sonho. Um sonho de igualdade e fraternidade entre as pessoas, encontrando no Naturismo, sua forma de lutar por uma sociedade mais justa. Proprietário da Chácara cedida para os eventos do Goiasnat, não media esforços para que as pessoas se sentissem bem, e assim mesmo, considerava-se um associado como outro qualquer. Em nenhum momento sua presença era tida como a do “dono” do local. Desprendido, não queria aparecer em nada, apesar de nossos esforços em destacá-lo como uma das lideranças, queria sim, saber sempre se as pessoas gostaram do convívio e se o encontro foi realizado com sucesso. Assumia-se naturista, mas nunca queria levar os créditos e os louros. Preferia ficar como se dizia na condição de “simples colaborador”. Tinha prazer em receber, servir e debater com os iniciantes! Era um naturista militante. Já no leito do hospital, bem perto do seu falecimento, não consentia que as atividades do Goiasnat fossem canceladas por sua causa. Tinha certeza que estaria lá no próximo encontro! Seu espírito empreendedor germânico o impelia a cada vez mais melhorar sempre as condições dos freqüentadores, criando um paraíso próprio e coletivo. A chácara destinada ao naturismo era um sonho realizado. Suas opiniões filosóficas, muitas vezes o levavam a uma visão idílica sobre os freqüentadores, beirando a ingenuidade quando o tema era a “malícia dos homens”. Polêmico, gostava de debater temas pela Internet sobre naturismo com muito entusiasmo e sabia recuar quando o argumento vencedor se sobrepunha. Era detentor de um espírito sistematicamente democrático. No Brasil, ele via as condições ideais para o florescimento das idéias naturistas. Em uma de suas várias reflexões dizia que “um país tropical, sem as limitações climáticas do hemisfério norte, só poderia ter um movimento naturista grande e avançado”. Fazia da sua vida e de suas condições materiais e financeiras uma ferramenta para alcançar este objetivo.
O nosso amigo Heitor “se foi fisicamente” mas seus ideais e o seu legado
de altruísmo e sabedoria nos inspirará sempre. Os Naturistas do
Centro-Oeste tem nas mãos uma grande responsabilidade: dar continuidade
e concretizar o sonho vivido por Heitor Stein! Goiânia, 12 de novembro de 2005 Laércio Júlio da Silva é associado ao GOIASNAT e Administrador Hoteleiro. |