Os números de Abricó

por Jorge Ferreira Ramos*

foto: João Salles

A praia do Abricó, situada no município do Rio de Janeiro, foi liberada para a prática naturista em 1994, mas, por causa de vários problemas judiciais, somente em 2003 é que teve sua condição garantida. De lá para cá têm sido feitos levantamentos sobre a frequência da praia em quase todos os finais de semana, graças à abnegação e persistência de um frequentador tradicional (que prefere não ter seu nome divulgado), que percorre constantemente os 250 metros do comprimento para fazer suas anotações. Os dados foram coletados entre outubro de 2003 e junho de 2005.

 

Vale lembrar que de outubro de 2003 até meados de fevereiro de 2004 toda extensão da área naturista podia-se ficar de roupas. Somente após o estabelecimento de área obrigatória de nudismo é que houve aumento da frequência de naturistas.

 

Pela tabulação, em outubro de 2003 a média de frequentadores foi de 59 (48 homens e 11 mulheres) pessoas e tivemos, após crescimentos e quedas, um pico médio de 150 pessoas em janeiro de 2005. No entanto, o maior número absoluto ocorreu no sábado 12 de março de 2005, com um total de 241 pessoas, 180 homens e 61 mulheres, destas, 23 em nu total e 38 em topless. Contudo a média do mês foi inferior à de janeiro do mesmo ano, que foi um mês de menor variação na presença efetiva das pessoas. A média de janeiro de 2005 foi maior, mas o pico de lotação aconteceu em março de 2005.

 

foto: João Salles

O número de mulheres em topless aumenta nos períodos de maior movimento. Cai nos períodos fora de feriados e férias. Esse fato sugere que as nossas frequentadoras assíduas e conhecidas são as que aderiram e não estão ali como as outras para simples experiência.

 

Interessante é que na série histórica criada pelo pesquisador, o porcentual de participação entre homens e mulheres mantém-se dentro de um certo padrão de equilíbrio, variando sempre na faixa de 20 a 25 por cento de mulheres para 75 a 80 por cento de homens. Quando aumenta o quantitativo de homens aumenta também o de mulheres.

 

Quando a praia foi liberada e nos primeiros meses, a taxa de mulheres em topless era maior: mais da metade. Com o tempo esssa relação foi diminuindo e inverteu-se. No mês de maio de 2005 o número de mulheres em nu total chegou a noventa por cento.

 

foto: João Salles

A primeira explosão de frequência aconteceu no verão de 2004, no mês de janeiro, e continuou crescendo até o mês de abril daquele ano. Depois foi caindo até ficar abaixo do patamar inicial de outubro de 2003, na época mais fria em julho de 2004. Estabilizou e voltou a crescer em outubro de 2004 - horário de verão, tempo mais quente - e disparou em janeiro de 2005, tendo caído em seguida, em fevereiro por causa do tempo chuvoso. Subiu de novo em março, especialmente na Semana Santa e caiu outra vez entre abril e maio, mas voltou a subir em junho. Pelas anotações, as Semanas Santas de 2004 e 2005 contribuíram para aumento da frequência em abril de 2004 e março de 2005, respectivamente.

 

 

*Membro da Associação naturista do Abricó

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Jornal Olho nu - edição N°60 - setembro de 2005 - Ano VI


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