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Olá,
todo mundo.
Volto
à seção de polêmica, pois acho que me é peculiar. Não escrevo muito
pois não tenho tempo, mas volto a me manifestar neste seleto meio de
comunicação que há muito tempo assino e sempre leio.
Primeiramente quero mais uma vez manifestar a validade do mesmo,
uma vez que as pessoas que aqui escrevem, mesmo quando há desavenças,
chegam mesmo a se retratar. Acho o nosso público bastante elegante e prático,
e quanto mais meios de comunicação tivermos, melhor.
Quanto ao ingresso dos desacompanhados, minha opinião é mesmo de
que o ideal seria ter a federação cada vez maior e mais fortalecida, com
um sistema eficiente e rapidíssimo de checagem de antecedentes com clubes
e associações, para a emissão de carteiras com duração limitada, que
serviriam de passe de entrada para desacompanhados sérios, que são uma
grande parte e não devem jamais ser discriminados. Com o crescimento
exponencial de clube e do movimento de uma forma geral, acho que o
simples conhecimento de alguns maus elementos, conhecimento este que é (e
deve ser) compartilhado em convenções e encontros, não é mais
suficiente. É necessário profissionalizar o sistema e aumentar, por
conseguinte, sua eficiência.
Somente acho que também há um grande preconceito contra casais
homossexuais. E antes que me perguntem, não me encaixo em nenhuma das
duas características, sou casado, um filho, e mais uma que vai nascer em
poucos dias. E jamais vejo isso como uma desculpa para discriminar pessoas
de opção sexual diferenciada ou desacompanhados, ou ao menos fazê-lo
por preconceito, por presunção ao comportamento sexual. Acho isso
inadmissível, mesmo criminoso, inconstitucional, passível de prisão,
tanto quanto aquele que nos afronta com seu comportamento.
Não obstante, sei que há inconvenientes até demais. Por isso
prego a organização, que até certo ponto só será possível com a
legalização, mas tem que ser levada ao cabo de qualquer forma. Por
exemplo, vou contar uma rápida história. Fui ao Rio no ano novo, o que já
não fazia há mais de dois anos, em uma passagem relâmpago, na qual nem
sequer pude visitar amigos naturistas ou organizar um passeio decente. Um
dia que me sobrou, dos poucos que passei, fui com meu filho Matheus e
minha esposa grávida, Liliane, à Praia da Reserva, onde
imediatamente tiramos a roupa, como sempre, pois há tempos que não tenho
mais qualquer encucação com isso, somente com a proximidade de pessoas
às quais a visão da nudez não agrade, caso em que simplesmente não
praticamos naturismo. Já me avisaram mais de uma vez, até mesmo nesta
lista, para tomar cuidado com o local, pois havia descambado para o
hedonismo, mas minhas lembranças de agradáveis momentos familiares
e tranqüilos na praia não me fez acreditar totalmente, fora o fato de
que, pensei, isso só poderia acontecer à noite.
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Qual não foi minha surpresa ao constatar que, lá pelas duas da
tarde, quando eu tomava minha cerveja nu e conversava com minha
esposa e vários conhecidos presentes aos quais não via há anos,
enquanto meu filho brincava na areia à beira d'água sob meu olhar, que
minha esposa me avisou que um homem estava se masturbando na cara de pau,
à nossa esquerda, há coisa de cinco metros de distância, provavelmente
sentindo muito prazer em seu exibicionismo doente.
Olhei e vi que ele olhava para todas as mulheres, a maioria de
topless, e eventualmente para a minha. Pensei, imediatamente, se ninguém
ao redor estava se importando com a cena, me revoltei. Me levantei
imediatamente, fui até ele. Ele se encolheu e jogou uma toalha por cima
do pênis ereto. Ameacei o sujeito até a quinta geração, discretamente
o avisei que, se não fosse embora da praia em dois minutos, para nunca
mais voltar... Em suma, não repetirei o que disse, pois estava
temporariamente alterado, mas consegui manter a elegância aparente e o
fiz em sigilo.
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Nara, uma amiga, e a minha esposa Lili. AMBAS
são professoras de Dança do Ventre (a Lili, sob o codinome
Saphyra, possui uma companhia de dança, a "Saphyra e as
Deusas do Oriente");
sem saber, a Lili já estava grávida
nestas fotos, de quase dois meses. Agora nascerá, dentro de uns
dias, nossa filhinha, a Sophia, irmã do Matheus, que já tem 7
anos.
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Nara
agora está ensinando Dança do Ventre no Japão, onde ficará por
mais quase dois anos no mínimo, segundo seu contrato
inicial. Na foto, elas haviam feito pintura corporal com seu
colaborador e meu amigo, Roberto Soares.
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Ele implorava indignamente, e foi embora correndo, nu, para colocar
sua roupa fora de minha vista. Qual não foi minha surpresa quando, logo
além, várias pessoas (muitas mesmo, homens e mulheres, a maioria nus)
vieram me congratular pela minha atitude de defender o
"cantinho" contra a imoralidade, de resguardar as famílias
presentes, etc. Percebi que alguns haviam notado, outros não, até pela
falta de tempo, foi tudo muito rápido, mas os que notaram não tiveram
coragem de fazer nada.
Aí pensei: o que falta no
naturista brasileiro médio (não em todos, evidentemente, mas em grande
parte), que eu já observei na Europa e Austrália? Resposta: atitude. O
naturista brasileiro é ainda muito velado, sua prática é
"secreta", ele ainda demonstra que não se sente parte de um
movimento de forma suficiente para agir de acordo.
Acho que, como já defendi antes, é necessário sair do armário.
Eu sou atualmente coordenador de dois cursos superiores em uma faculdade
aqui do Amapá, Estado distante e em muitos aspectos atrasado. E todos os
meus alunos, professores e chefes sabem que eu sou naturista. Eu uso
camisetas e bonés naturistas o tempo todo. Mostro a minha cara, como diz
o Millôr, "ponho na berlinda". Enfrento as eventuais
estranhezas, explico o movimento, já atraí, tenho certeza, muitas
pessoas para dentro dele. Me preocupo em expandir nossos ideais.
Recentemente fiz uma palestra para alunos do curso de turismo sobre como são
os clubes naturistas, o que significa naturismo, o potencial turístico e
econômico do movimento. E olha que sou jornalista, não turismólogo.
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Agora, com o apoio da instituição, finalmente parece que vou
conseguir viabilizar financeiramente o meu livro sobre o naturismo no
Brasil, que há anos venho tentando publicar, um guia aprofundado de
viagem, diferente do que há pois conto experiências pessoais e como
chegar em cada um dos lugares.
Em suma, precisamos deixar de ser tão enrustidos, sair do armário,
assumir publicamente nossa opção naturista como uma excelente opção
psicológica, educativa, familiar, social, turística, econômica, etc. E
deixar, nós mesmos, de ser tão quadrados, ao mesmo tempo lutando para
expandir nossos ideais publicamente.
O movimento é fraco? É. Cresce a cada dia, mais ainda é um
GUETO, porque "não nos misturamos" ideologicamente. O naturista
precisa se assumir. Quando, por razão de etiqueta, me perguntam se podem
me fotografar e à minha família, respondemos que certamente sim, o
quanto quiserem, não precisa distorcer o rosto. Temos ORGULHO de ser
naturistas e tentarmos reduzir nossos preconceitos sociais antes de pedir
que as outras pessoas o façam. Digo que podem publicar nossas fotos onde
for, jornal, revista, Internet.
Quando vamos à uma área naturista, deixamos as roupas NO
CARRO e somente as colocamos em caso de frio FORTE, para nada mais, até a
hora de ir embora. Vamos pelados entre os ainda vestidos, já curtindo a
liberdade e a natureza, com um natural sorriso para algum eventual olhar
de reprovação. Em Tambaba, me avisaram que eu não deveria, e eu dei de
ombros. Andei vários quilômetros nu, fiz amigos, fui muito feliz por lá.
Não aprovei quando estacionaram um ônibus inteiro de turismo, do hotel
em que eu estava hospedado, para ver os pelados, mas fui conversar com
eles na praia que então era "opcional" nu, e feliz. Os
conscientizei, tomamos cerveja juntos, alguns resolveram, ali mesmo, tirar
tudo e entrar na área de nudez obrigatória, mesmo sendo adolescentes e
encanados, e mesmo na presença dos pais. Tudo na conversa. Fizemos amigos
que eram homens desacompanhados, porém gente respeitosa, de bem com a
vida, e olha que quem puxou assunto fui eu, para a surpresa deles.
Quando vamos a clubes, chama nossa atenção a pouca quantidade de
gente que fica nua fora da área da piscina. Se coloca roupa para jogar vôlei
no calor, mesmo suando, para se reunir à noite, mesmo se não estiver
frio, para almoçar... Para que ser naturista então? Só para não ter
marcas de biquini e ficar preocupado se alguém está filmando ou
fotografando, para chantagear depois? Isso não é liberdade, é prisão
maior ainda.
Naturistas do Brasil, unamo-nos e saiamos do armário! Incentivem
publicações e mídia sobre o naturismo! Lutem contra o discurso
sensacionalista! Quanto mais souberem de nós, melhor e maior será nosso
público. Estou fazendo a minha parte... Temos que pensar, cada um de nós,
qual é o nosso papel? Será que o estamos levando a cabo?
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