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ATITUDE JÁ!

por Chris Benjamim Natal*

Olá, todo mundo.

Volto à seção de polêmica, pois acho que me é peculiar. Não escrevo muito pois não tenho tempo, mas volto a me manifestar neste seleto meio de comunicação que há muito tempo assino e sempre leio.

 

Praia da Reserva, local de frequência diversa     Primeiramente quero mais uma vez manifestar a validade do mesmo, uma vez que as pessoas que aqui escrevem, mesmo quando há desavenças, chegam mesmo a se retratar. Acho o nosso público bastante elegante e prático, e quanto mais meios de comunicação tivermos, melhor. 

 

     Quanto ao ingresso dos desacompanhados, minha opinião é mesmo de que o ideal seria ter a federação cada vez maior e mais fortalecida, com um sistema eficiente e rapidíssimo de checagem de antecedentes com clubes e associações, para a emissão de carteiras com duração limitada, que serviriam de passe de entrada para desacompanhados sérios, que são uma grande parte e não devem jamais ser discriminados. Com o crescimento exponencial de clube e do movimento de uma forma geral, acho que o simples conhecimento de alguns maus elementos, conhecimento este que é (e deve ser) compartilhado em convenções e encontros, não é mais suficiente. É necessário profissionalizar o sistema e aumentar, por conseguinte, sua eficiência.

 

     Somente acho que também há um grande preconceito contra casais homossexuais. E antes que me perguntem, não me encaixo em nenhuma das duas características, sou casado, um filho, e mais uma que vai nascer em poucos dias. E jamais vejo isso como uma desculpa para discriminar pessoas de opção sexual diferenciada ou desacompanhados, ou ao menos fazê-lo por preconceito, por presunção ao comportamento sexual. Acho isso inadmissível, mesmo criminoso, inconstitucional, passível de prisão, tanto quanto aquele que nos afronta com seu comportamento.

 

     Não obstante, sei que há inconvenientes até demais. Por isso prego a organização, que até certo ponto só será possível com a legalização, mas tem que ser levada ao cabo de qualquer forma. Por exemplo, vou contar uma rápida história. Fui ao Rio no ano novo, o que já não fazia há mais de dois anos, em uma passagem relâmpago, na qual nem sequer pude visitar amigos naturistas ou organizar um passeio decente. Um dia que me sobrou, dos poucos que passei, fui com meu filho Matheus e minha esposa grávida, Liliane, à Praia da Reserva, onde imediatamente tiramos a roupa, como sempre, pois há tempos que não tenho mais qualquer encucação com isso, somente com a proximidade de pessoas às quais a visão da nudez não agrade, caso em que simplesmente não praticamos naturismo. Já me avisaram mais de uma vez, até mesmo nesta lista, para tomar cuidado com o local, pois havia descambado para o hedonismo, mas minhas lembranças de agradáveis momentos familiares e tranqüilos na praia não me fez acreditar totalmente, fora o fato de que, pensei, isso só poderia acontecer à noite.  

     Qual não foi minha surpresa ao constatar que, lá pelas duas da tarde, quando eu tomava minha cerveja nu e conversava com minha esposa e vários conhecidos presentes aos quais não via há anos, enquanto meu filho brincava na areia à beira d'água sob meu olhar, que minha esposa me avisou que um homem estava se masturbando na cara de pau, à nossa esquerda, há coisa de cinco metros de distância, provavelmente sentindo muito prazer em seu exibicionismo doente.

 

     Olhei e vi que ele olhava para todas as mulheres, a maioria de topless, e eventualmente para a minha. Pensei, imediatamente, se ninguém ao redor estava se importando com a cena, me revoltei. Me levantei imediatamente, fui até ele. Ele se encolheu e jogou uma toalha por cima do pênis ereto. Ameacei o sujeito até a quinta geração, discretamente o avisei que, se não fosse embora da praia em dois minutos, para nunca mais voltar... Em suma, não repetirei o que disse, pois estava temporariamente alterado, mas consegui manter a elegância aparente e o fiz em sigilo.

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Nara, uma amiga, e a minha esposa Lili.  AMBAS são professoras de Dança do Ventre (a Lili, sob o codinome Saphyra, possui uma companhia de dança, a "Saphyra e as Deusas do Oriente"); sem saber, a Lili já estava grávida nestas fotos, de quase dois meses. Agora nascerá, dentro de uns dias, nossa filhinha, a Sophia, irmã do Matheus, que já tem 7 anos.

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Nara agora está ensinando Dança do Ventre no Japão, onde ficará por mais quase dois anos no mínimo, segundo seu contrato inicial. Na foto, elas haviam feito pintura corporal com seu colaborador e meu amigo, Roberto Soares.

Ele implorava indignamente, e foi embora correndo, nu, para colocar sua roupa fora de minha vista. Qual não foi minha surpresa quando, logo além, várias pessoas (muitas mesmo, homens e mulheres, a maioria nus) vieram me congratular pela minha atitude de defender o "cantinho" contra a imoralidade, de resguardar as famílias presentes, etc. Percebi que alguns haviam notado, outros não, até pela falta de tempo, foi tudo muito rápido, mas os que notaram não tiveram coragem de fazer nada.  

 

     Aí pensei: o que falta no naturista brasileiro médio (não em todos, evidentemente, mas em grande parte), que eu já observei na Europa e Austrália? Resposta: atitude. O naturista brasileiro é ainda muito velado, sua prática é "secreta", ele ainda demonstra que não se sente parte de um movimento de forma suficiente para agir de acordo.  

 

    Acho que, como já defendi antes, é necessário sair do armário. Eu sou atualmente coordenador de dois cursos superiores em uma faculdade aqui do Amapá, Estado distante e em muitos aspectos atrasado. E todos os meus alunos, professores e chefes sabem que eu sou naturista. Eu uso camisetas e bonés naturistas o tempo todo. Mostro a minha cara, como diz o Millôr, "ponho na berlinda". Enfrento as eventuais estranhezas, explico o movimento, já atraí, tenho certeza, muitas pessoas para dentro dele. Me preocupo em expandir nossos ideais. Recentemente fiz uma palestra para alunos do curso de turismo sobre como são os clubes naturistas, o que significa naturismo, o potencial turístico e econômico do movimento. E olha que sou jornalista, não turismólogo.

     Agora, com o apoio da instituição, finalmente parece que vou conseguir viabilizar financeiramente o meu livro sobre o naturismo no Brasil, que há anos venho tentando publicar, um guia aprofundado de viagem, diferente do que há pois conto experiências pessoais e como chegar em cada um dos lugares.

 

     Em suma, precisamos deixar de ser tão enrustidos, sair do armário, assumir publicamente nossa opção naturista como uma excelente opção psicológica, educativa, familiar, social, turística, econômica, etc. E deixar, nós mesmos, de ser tão quadrados, ao mesmo tempo lutando para expandir nossos ideais publicamente.

 

Naturistas precisam sair do armário     O movimento é fraco? É. Cresce a cada dia, mais ainda é um GUETO, porque "não nos misturamos" ideologicamente. O naturista precisa se assumir. Quando, por razão de etiqueta, me perguntam se podem me fotografar e à minha família, respondemos que certamente sim, o quanto quiserem, não precisa distorcer o rosto. Temos ORGULHO de ser naturistas e tentarmos reduzir nossos preconceitos sociais antes de pedir que as outras pessoas o façam. Digo que podem publicar nossas fotos onde for, jornal, revista, Internet.

 

     Quando vamos à uma área naturista, deixamos as roupas NO CARRO e somente as colocamos em caso de frio FORTE, para nada mais, até a hora de ir embora. Vamos pelados entre os ainda vestidos, já curtindo a liberdade e a natureza, com um natural sorriso para algum eventual olhar de reprovação. Em Tambaba, me avisaram que eu não deveria, e eu dei de ombros. Andei vários quilômetros nu, fiz amigos, fui muito feliz por lá. Não aprovei quando estacionaram um ônibus inteiro de turismo, do hotel em que eu estava hospedado, para ver os pelados, mas fui conversar com eles na praia que então era "opcional" nu, e feliz. Os conscientizei, tomamos cerveja juntos, alguns resolveram, ali mesmo, tirar tudo e entrar na área de nudez obrigatória, mesmo sendo adolescentes e encanados, e mesmo na presença dos pais. Tudo na conversa. Fizemos amigos que eram homens desacompanhados, porém gente respeitosa, de bem com a vida, e olha que quem puxou assunto fui eu, para a surpresa deles.

 

     Quando vamos a clubes, chama nossa atenção a pouca quantidade de gente que ficaMuitas pessoas nos clubes não tiram totalmente as roupas nua fora da área da piscina. Se coloca roupa para jogar vôlei no calor, mesmo suando, para se reunir à noite, mesmo se não estiver frio, para almoçar... Para que ser naturista então? Só para não ter marcas de biquini e ficar preocupado se alguém está filmando ou fotografando, para chantagear depois? Isso não é liberdade, é prisão maior ainda.

 

     Naturistas do Brasil, unamo-nos e saiamos do armário! Incentivem publicações e mídia sobre o naturismo! Lutem contra o discurso sensacionalista! Quanto mais souberem de nós, melhor e maior será nosso público. Estou fazendo a minha parte... Temos que pensar, cada um de nós, qual é o nosso papel? Será que o estamos levando a cabo?  

*Coordenador de Comunicação Social:
Habilitações de Jornalismo e Relações Públicas 
Faculdade Seama
Macapá, AP

cbn@seama.edu.br

 
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